Alberto Bachelet foi preso e torturado em 1973 e morreu de ataque cardíaco um ano depois, após sofrer uma sucessão de torturas físicas e psicológicas

Alberto Bachelet - Foto: Museu de La Memoria Argentina

As declarações de Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (4), nas quais defendeu a tortura e a morte de Alberto Bachelet, pai da ex-presidenta do Chile e hoje Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, causaram reações de indignação.

Alberto Bachelet foi assassinado a mando do ditador Augusto Pinochet, por ser oposição ao regime militar chileno, tirou do poder o socialista Salvador Allende.

Bachelet foi preso e torturado em 1973 e morreu um ano depois, em 1974, em uma prisão nos porões da ditadura chilena, uma das mais sangrentas da América do Sul.

O pai de Michelle tinha, à época, 50 anos de idade e sofreu um ataque cardíaco, depois de uma sucessão de torturas físicas e psicológicas. Brigadeiro-general da Força Aérea chilena, Bachelet era ligado a Allende.

Em 2014, dois ex-militares chilenos foram condenados pela tortura e por provocar a morte do pai da ex-presidenta.

“Me quebraram por dentro, em um momento, me quebraram moralmente. Nunca soube odiar ninguém, sempre pensei que o ser humano é a coisa mais maravilhosa desta criação e deve ser respeitado por isso, mas me encontrei com camaradas das Forças Armadas que conheço há 20 anos, meus alunos, que me trataram como um delinquente ou como um cachorro”, diz trecho de uma carta escrita por Bachelet para sua família, quando ainda estava na prisão.

Ataques



Típico de um homem autoritário, que não apenas apoia como estimula a violência, o presidente brasileiro usou sua conta no Facebook para atacar:

“Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu.


Em outro trecho da postagem Bolsonaro atacou com mais violência a Comissária da ONU: “Diz (Michelle) ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”.

Reação


Jaime Quintana, presidente do Senado chileno, repudiou o ataque do presidente brasileiro. Para ele, Bolsonaro agride a memória dos chilenos. “O ataque monstruoso de Bolsonaro deverá provocar um repúdio transversal e contundente de todos os setores políticos chilenos”.

Quintana afirmou, também, que “Bolsonaro está se colocando fora das relações multilaterais e não está à altura de um chefe de Estado em nenhum país do mundo”.

Ele exigiu uma postura firme do presidente do país, Sebastián Piñera, aliado de Bolsonaro. O parlamentar destacou que as comissões de Direitos Humanos e de Relações Exteriores do Senado do Chile deverão emitir notas oficiais ainda nesta quarta (4) e que espera “uma reação enérgica” de Piñera e da Chancelaria “ao que é uma agressão a todos os chilenos e chilenas”.


Revista Fórum

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