Acomodado na função de capacho de Bolsonaro, Sergio Moro se acovarda mais uma vez e manda investigar policiais no caso Hélio Negão. Ministro demonstra obsessão pelo cargo público

Hélio Negão

Diante da interferência de Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal, o ministro da Justiça, Sergio Moro, determinou que a PF abra uma “imediata apuração dos fatos no âmbito administrativo e criminal, com a identificação dos responsáveis” por uma suposta fraude de agentes em uma investigação que teria entre os alvos um dos principais aliados do clã Bolsonaro, o deputado Hélio Negão (PSL-RJ).

Hélio é o nome favorito de Jair Bolsonaro para concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro na eleição de 2020. O pedido de investigação de Moro foi aberto no primeiro dia “das férias” do diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo — que já foi ameaçado de exoneração pelo presidente caso não atendesse a ordem para demitir o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi.

No ofício enviado ao diretor-geral em exercício da PF , Disney Rossetti, Moro também exige ser informado dos “desdobramentos” da investigação.

Na segunda-feira (9), o jornal Folha de S.Paulo informou que o nome do deputado Hélio Negão, que desde a eleição aparece regularmente junto ao presidente em eventos públicos, teria sido incluído em um inquérito que trata de uma pessoa que usa o mesmo apelido do parlamentar, e que já morreu. Segundo o jornal, a avaliação da cúpula da PF é que a inclusão ocorreu para desgastar Saadi.

Crise na Polícia Federal


A superintendência do Rio esteve no centro de um embate entre a PF e Bolsonaro no mês passado, quando o presidente anunciou que substituiria o chefe do órgão, Ricardo Saadi, por problemas de produtividade.

No mesmo dia, entretanto, a PF divulgou nota dizendo que a substituição não tinha relação com a produtividade de Saadi, e anunciou que o posto seria assumido por Carlos Henrique Oliveira Sousa, de Pernambuco.

No dia seguinte, entretanto, Bolsonaro reagiu ao nome de Sousa e, ao dizer que seria Alexandre Silva Saraiva, de Manaus, e afirmou que “quem manda sou eu”.

As declarações causaram mal-estar na PF e até a ameaça de entrega de cargos. Bolsonaro, então, voltou atrás e disse que “tanto faz” quem seria escolhido, mas depois ameaçou trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo – indicado por Sergio Moro, quem com trabalhou durante anos na Operação Lava Jato.

A exoneração de Saadi foi publicada no Diário Oficial da União em 30 de agosto. A nomeação de Sousa, ainda não. Valeixo permanece no cargo, mas não se sabe até quando.

Covardia


Os atropelos de Jair Bolsonaro na Polícia Federal e em questões da alçada do Ministério da Justiça expõem a fraqueza e a inutilidade de Sergio Moro perante o presidente.

Acuado, omisso e pequeno, Moro parece fazer de tudo para agradar o chefe e se sustentar no cargo. Na última semana, o ex-juiz da Lava Jato chegou a elogiar a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República (PGR).

O nome de Aras foi mal recebido por toda a força-tarefa da Lava Jato, mas Moro decidiu fazer coro com Carla Zambelli (PSL), a maior puxa saco de Bolsonaro no Congresso e única a elogiar a indicação.

Na ocasião, o jornalista Glenn Greenwald ironizou a bajulação de Moro. “Se Jair Bolsonaro amanhã denunciasse Moro e a família dele com palavras mais insultuosas possíveis, Moro publicaria um tweet elogiando e agradecendo Bolsonaro”, disse Glenn. “Alguma vez houve uma figura política que se revelou tão rapidamente sem espinha e sem dignidade?”, cutucou.

“É como se Bolsonaro estivesse conduzindo um novo experimento psicológico sádico no Moro para determinar quanta dignidade uma pessoa está disposta a sacrificar para se apegar ao seu cargo público”, completou o jornalista.



Pragmatismo Político

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