Jean-Luc Melenchon ao lado de Fernando Haddad após visitar Lula em Curitiba, nessa quinta-feira 5 de setembro de 2019.Heuler Andrey / AFP

A declaração emocionada de Jean-Luc Mélenchon, chefe do partido La France Insoumise (A França Insubmissa, LFI), após visitar Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba é amplamente divulgada pela imprensa francesa. Na quinta-feira (5), o líder da esquerda radical da França afirmou, com a voz embargada, que recebeu "energia" do ex-presidente brasileiro, preso há mais de um ano, e condenou “um processo político” contra Lula.


Mélenchon realiza há dois meses um giro pela América Latina. Antes de chegar ao Brasil, já se reuniu com líderes da esquerda no México, Argentina e Uruguai. Ex-candidato à presidência da França e primeiro líder político francês a visitar Lula na prisão, Mélenchon tem uma relação de amizade com o ex-presidente.

O deputado opositor ao presidente Emmanuel Macron concedeu uma entrevista à imprensa na porta da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Lula cumpre, desde abril de 2018, pena de 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex no Guarujá.

"Eu o encontrei com a mesma força de caráter. Somos todos Lula!", declarou. Ele disse que achou o ex-presidente muito forte, em “todos os aspectos" e revelou que Lula, de 73 anos, "corre nove quilômetros todos os dias" em uma esteira.

"Ele nos chamou à resistência", disse o deputado francês, explicando que "grande parte da conversa envolveu o uso da justiça em julgamentos políticos, a lei".

Processos políticos


Lula foi "condenado por atos indeterminados. Não há limite para o uso da justiça em julgamentos políticos", avaliou o lídes do LFI. Mélenchon qualificou Sergio Moro, que quando era juiz em 2017 condenou Lula na primeira instância, de "personalidade politicamente corrompida". O atual ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro está "disposto a sujar a justiça de seu próprio país para levar até o fim o processo político" contra Lula, acrescentou.

O deputado francês fez um paralelo entre o caso do ex-presidente brasileiro e os problemas que ele também enfrenta na Justiça. Mélenchon será julgado em 19 e 20 de setembro, juntamente com cinco partidários, por incidentes ocorridos durante uma operação policial na sede de seu partido, que integrava uma investigação sobre gastos da campanha eleitoral de 2017.

"Estamos determinados a não permitir isso, cada um em nosso país. Vamos nos unir, vincular nossos grupos de advogados (...) para nos ajudar (...) nos julgamentos políticos que sofremos", acrescentou o deputado. "É o mesmo método, talvez não sejam as mesmas conclusões", mas "as mesmas acusações sem provas e violações dos direitos de defesa", declarou.

(Com informações da AFP)


RFI

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