Em palestra na Fundação Heritage, que reúne conservadores estadunidenses, chanceler brasileiro misturou temas e foi ironizado por especialista em Relações Internacionais: "Não está claro se ele já leu a teoria crítica neomarxista além do que se encontra na Wikipedia"


Ernesto Araújo na Fundação Heritage, nos EUA (Reprodução)

Por Plinio Teodoro

Em um discurso altamente ideológico a conservadores estadunidenses da Fundação Heritage, nesta quarta-feira (11) em Washington, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que “justiça social” foi usada como pretexto para implantação de uma “ditadura” globalista, vinculada à esquerda, e que agora se quer fazer o mesmo sob o tema das mudanças climáticas.

“Justiça social é apenas um pretexto para a ditadura”, disse Araújo na palestra que, segundo a fundação, apresentou a “nova estratégia internacional brasileira e o plano do Presidente Jair Bolsonaro para colocar o país rumo a prosperidade, segurança, e dignidade para todos os brasileiros”, além do novo “diálogo estratégico” entre Brasil e EUA.

A palestra foi acompanhada pelo repórter Ishaan Tharoor, especialista em relações internacionais do jornal Washington Post, que se mostrou impressionado com a incoerência do discurso do chanceler brasileiro.

“Isso é incrível. Não está claro se ele já leu a teoria crítica neomarxista além do que se encontra na Wikipedia”, escreveu o jornalista em uma sequência de tuítes.

Para Tharoor, não há fundamentação científica nenhuma nas teses defendidas pelo chanceler brasileiro. “O discurso do ministro das Relações Exteriores do Brasil na @heritage poderia ter sido feito por um conservador da PragerU, reclamando sobre a mídia, o sistema globalista, etc”, ironizou o jornalista, referindo-se à PragerU, uma instituição voltada a produção de conteúdo educacional de orientação conservadora, que não tem reconhecimento acadêmico nos EUA.


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