Durante anos, a Polícia Federal cultivou o “tudo posso em governos que me fortalecem”.

Ganhou pessoal, ganhou equipamentos, teve liberdade de agir, independência para organizar-se e até tolerância em relação a abusos cometidos por alguns de seus integrantes, que seriam inaceitáveis numa polícia séria e profissional, como o caso do agente que fazia tiro ao alvo no desenho de uma presidente ou dos delegados que se articulavam numa espécie de “comitê do Aécio” eletrônico.

Foi tanto, tanto o que puderam que não resistiram a tentação de poder. Entregaram-se ao espalhafato, às operações “vistosas” em trajes de guerra, com agentes usando -às vezes literalmente – uniformes de Swat e promovendo personagens como o “japonês da Federal” até virarem máscara de Carnaval.

Sobretudo, deixaram formar-se dentro da instituição um partido poderoso, o Partido do Moro, que cultivou, em Curitiba, um segmento de delegados que viu nele a possibilidade de ascensão a posições de comando e que, de fato, o seguiu como a cauda segue o cometa, quando de sua ida para o Ministério da Justiça e, portanto, a uma politização do comando da PF como nem Michel Temer conseguiu fazer.

Deixou que o sonho de ser FBI fosse substituído por tentações de ser Gestapo.

Idolatrada pelo bolsonarismo, pouco entendeu que estaria entregue ao próprio “Mito”.

Esqueceram que, num regime autoritário, os poderes que se pode ter são os poderes que o tirano lhes permite, jamais outros.

Agora, têm de assistir calados que o chefe – o de verdade, não o Moro – proclame seu poder de mexer o quanto quiser na instituição, definindo quem pode ou não pode ser investigado e quando os seus olhos podem se abrir ou se fechar.

Sim, para arejá-la. Com ares de milícia, quem sabe?


TIJOLAÇO

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