Pesquisadores levaram peixes, cobras, insetos, e diversas espécies ameaçadas com desmatamento para exibir à população


Catarina Barbosa
Brasil de Fato | Belém (PA)

Naraiana Benone, pós-doutoranda do museu Emílio Goeldi, mostra um sarapó, tipo de peixe elétrico só encontrado na Amazônia / Foto: Catarina Barbosa


Acari, sarapó, piranha, peixe-agulha, arraia e muitos outros peixes, além de cobras, insetos e penas de aves. As pessoas que participaram do ato do Dia da Amazônia, em Belém do Pará tiveram a oportunidade de aprender com cientistas um pouco mais sobre a biodiversidade característica da região. O ato teve concentração às 17h, na frente do Mercado de São Brás.

A ideia da manifestação foi realizar um ato político-cultural para propor à população uma reflexão sobre a importância da floresta e a riqueza de espécies que existe na região amazônica.

A pós-doutoranda do Museu Emílio Goeldi Naraiana Benone afirma que na Amazônia vivem espécies particulares de peixes que só existem lá. É o caso do sarapó, um peixe elétrico que assim como poraquê consegue emitir uma carga elétrica. A diferença entre os dois é que apenas a carga emitida pelo poraquê pode ser sentida pelo ser humano.

Benone foi além e disse que há grupos de peixes particulares da Volta Grande do Xingu, como é o caso do acari. Esse peixe possui placas-ósseas em vez de escamas, o que o ajuda a navegar nas correntezas do Xingu e ele possui ainda uma ventosa na boca que o permite fixar-se em pedras.



O acari, peixe particular da Volta Grande do Xingu (Foto: Catarina Barbosa)

Dentro do grupo do acari existe ainda uma especie chamada acari-zebra, que corre o risco de ser extinta em função da usina hidrelétrica de Belo Monte, isso porque a redução de vazão do rio inviabilizaria o peixe de se reproduzir, o que levaria a sua espécie à extinção.

—Ali na Volta Grande existem muitas espécies endêmicas de acaris, que são os peixes cascudos. Esses peixes, como o Acari só existe na Volta Grande. Eles não ocorrem nem em outros pontos do Rio Xingu e nem em outros rios amazônicos. Com a construção da hidrelétrica de Belo Monte houve uma mudança muito grande no tipo de ambiente que tinha ali. Agora, ao invés de corredeira nós temos uma grande barragem. Então, o fluxo da água mudou completamente. Com isso, pode ser que exista a extinção de varias espécies. A espécie símbolo dali do Rio Xingu é o Acari-zebra—, afirma.

A pesquisadora faz alerta também ao desmonte promovido pelo governo Bolsonaro nas estruturas de financiamento do trabalho dos pesquisadores brasileiros.

"Com esse corte que o governo Bolsonaro está fazendo, ele está destruindo a ciência. Não tem outra palavra. Ele está realmente destruindo. Existe um grande número de pesquisadores desempregados e a produção científica efetivamente no Brasil vai parar. Qualquer desenvolvimento tecnológico que a gente possa ter. Todo o conhecimento sobre a nossa diversidade, porque ainda há muito para se descobrir vai ser feito por pesquisadores estrangeiros, então, não vai mais pertencer ao público brasileiro, vai pertencer a outras pessoas", argumenta a cientista.

Talita Viana faz mestrado em biodiversidade e evolução no Museu Goeldi e foi uma das atingidas com o corte de bolsas promovido pelo governo.

"Eu sou representante discente dos alunos de mestrado do programa que eu faço parte e o nosso programa está sem bolsa. Então, todas as pessoas que entraram no mestrado de biodiversidade e evolução, esse ano, estão sem bolsa. Os doutorandos também estão sem bolsa e essa é uma situação muito precária", explica a mestranda.



A mestranda Talita exibindo insetos amazônicos durante a manifestação desta quinta-feira (5) (Foto: Catarina Barbosa)

O protesto contou com a participação de vários movimentos sociais. Entre eles, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); a associação indígena metropolitana Uyka Kwara; Juntos; a Frente indígenas sem medo; e o Ocupa República e muitos outros.

Edição: Rodrigo Chagas


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