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Em 2013, um dos lemas mais fortes da multidão que tomou o Brasil foi: “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”. O grito ecoou tão forte que, depois de décadas, o grupo Globo foi obrigado a fazer uma autocrítica para não seguir desmoralizado em praça pública.

A Globo também apoiou o novo golpe, que foi a deposição da presidenta Dilma, reeleita em dois turnos, que não havia praticado crime de responsabilidade nem crime comum, pois sequer foi processada na Justiça. A Ordem dos Advogados do Brasil também apoiou o golpe militar e o golpe contra a Dilma, mas logo percebeu que havia cometido dois grandes erros. No golpe militar, advogados como Heleno Fragoso, George Tavares e Augusto Sussekind foram presos clandestinamente. A resistência da instituição e de brilhantes e corajosos advogados como Técio Lins e Silva foi forte. Tanto que uma carta bomba matou Dona Lyda Monteiro, secretária do então presidente da OAB Eduardo Seabra Fagundes, a quem havia sido endereçada.

Ante os ataques ao atual presidente Felipe Santa Cruz, a Ordem dos Advogados do Brasil começa a sentir as consequências de sua absurda decisão de ter apoiado o golpe contra Dilma. Bolsonaro ofendeu a família do presidente da OAB e todas as famílias que tiveram seus parentes torturados, assassinados, desaparecidos, que não enterraram seus entes queridos, como aconteceu com Fernando Santa Cruz. Em filme recente de Beth Formaggini e em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o “Pastor Cláudio” diz que ele mesmo incinerou o pai de Felipe numa usina de cana de açúcar em Campos dos Goytacazes (RJ).

A Rede Globo e a OAB não podem ficar omissas diante do que vem acontecendo no Brasil. Todas e todos devem ser chamados à responsabilidade agora, pois o futuro pode ser a barbárie, ainda muito pior que o devastador legado da ditadura militar ao país.

Nosso presente é a incineração da Floresta Amazônica, milhões de brasileiros na miséria e morando nas ruas, assassinatos de indígenas, fuzilamento de negros nas favelas. Não se pode tapar o sol com a peneira comemorando um irrisório aumento de 0,4% do PIB em rede nacional. Isso nos faz recordar os ataques aos midiaticamente chamados “pibinhos” do governo Dilma Rousseff.

Não estamos exagerando: a fumaça da poluição que cobriu a cidade de São Paulo às 15 horas aconteceu. As verbas dos programas sociais Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, FIES e abono salarial já foram reduzidas no orçamento para o ano que vem e milhões de brasileiros estão voltando à miséria. O aumento de assassinatos de negros e pobres nas favelas do país cuja polícia é a que mais mata no mundo está acontecendo. É a farsa da política racista de guerras às drogas, que só ataca o varejo da favela, enquanto libera bilhões do tráfico lavados por doleiros, mais ainda com o fim do COAF.

A responsabilidade é atual, pois pode ser que não sobre nada nem mesmo para se fazer a autocrítica depois. Bolsonaro precisa ser retirado imediatamente da Presidência da República.

ANDRÉ BARROS é advogado da Marcha da Maconha, mestre em ciências penais, vice-presidente da Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sócio Popular e membro do Institutos dos Advogados Brasileiros



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