Ministro do Meio Ambiente, em entrevista ao "Roda Viva", da TV Cultura, saiu em defesa dos proprietários de terra que não recebem autorização para desmatar


Reprodução/TV Cultura


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, insistiu, em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (26), em sua retórica contra a “indústria da multa” em áreas de preservação ambiental e procurou, mais uma vez, se esquivar da responsabilidade pelo aumento exponencial das queimadas e do desmatamento na Floresta Amazônica.

“Não há nenhuma orientação para não fazer a fiscalização”, afirmou.

Logo no começo da entrevista, Salles saiu em defesa dos desmatadores. Com um discurso polido, o ministro do Meio Ambiente disse, em outras palavras, que o desmatamento ilegal não pode ser considerado como ilegal.

“O governo é contra o desmatamento ilegal. Nós precisamos, de fato, deixar isso claro. Talvez não tenha sido dito de forma mais explicita, então dizemos: somos contra. Mas é importante, por outro lado, colocar o que é atividade ilegal e atividade legal, e atividades que poderiam estar sendo feito de maneira legal e são colocadas na ilegalidade”, disse.

E disparou: “Em muitos casos, há pedidos de supressão de vegetação para a pessoa poder usufruir de sua propriedade e essa autorização não vem. Aí acaba desmatando sem licença. Isso é diferente da ação ilegal”.

O ministro, na mesma entrevista, ainda minimizou a importância da legislação ambiental. “Que há questões de cunho ideológico, há em todos os lados. O caminho é cumprir a lei sem exageros”, afirmou.

Sobre as falas de Jair Bolsonaro classificando os dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre desmatamento como mentirosos, o que gerou a demissão do então diretor, Ricardo Galvão, Salles tergiversou, afirmando que a metodologia do instituto, na avaliação do governo, é incorreta.

“Os percentuais alardeados. Como foram divulgados, não encontram respaldo fático. Agora, a forma de falar, essa é uma outra discussão. Demonstramos que imputar um percentual de comparação mês a mês não é uma metodologia correta”, declarou.

Dia do Fogo


Ricardo Salles, ao ser questionado sobre o porquê o governo não fez nada com relação aos alertas emitidos pelo Ministério Público sobre o chamado “Dia do Fogo” ao Ibama, disse que seu ministério cumpriu a sua parte e, indiretamente, responsabilizou o Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, pela falta de ação.

O Dia do Fogo foi um evento marcado por pecuaristas do Pará, via Whatsapp, que tinha como objetivo promover incêndios florestais simultâneos, em diferentes regiões, no dia 10 de agosto. O ministério de Salles sabia que o evento criminoso aconteceria.

“O órgão federal foi informado. Agora, como faz para controlar isso em caráter preventivo? Fazendo o que o Ibama fez, comunicando as autoridades. E isso foi feito”, disse, completando ainda que as polícias estaduais e a Força Nacional, da alçada de Moro, foram acionados.

Culpa das ONGs


Salles ainda tergiversou quando foi perguntado sobre a declaração de Bolsonaro, que sugeriu que ONGs ambientais seriam as responsáveis pelo aumento das queimadas na Floresta Amazônica.

Desafiado a falar sobre qual é o papel das ONGs nesses incêndios, o ministro deu uma volta e, sem responder a pergunta, ponderou: “A gente não pode imputar ao presidente esse rigor de saber tudo o que está falando. O presidente recebe uma enxurrada de informações”.



Revista Fórum

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