Nos jornais deste sábado, em meio à fumaceira que vem da crise amazônica à qual Jair Bolsonaro ateou fogo com suas declarações estúpidas, surgem por toda a parte os focos do incêndio que devorou a aliança entre Moro (e a Lava Jato) e o atual presidente.

Já que o presidente aprecia tanto as metáforas amorosas – namoro, noivado, casamento são rótulos constantes que dá às relações políticas – não seria impreciso dizer que, neste momento, Sergio Moro foi posto a dormir no sofá.

Jailton Carvalho, em O Globo, narra o que teria sido a gota d’água no pote cheio de mágoas do convivio entre ambos: o pedido de Moro a Dias Toffoli para reverter a decisão que barrou investigações originadas de relatórios do falecido Conselho de de Controle de Atividades Financeiras – Coaf. Toffoli, claro, só descobriu, depois de anos e anos, que isso representaria uma violação do sigilo bancário e fiscal sem autorização judicial, justamente quando as estrepolias do filho presidencial vieram à tona.

E relata que ‘rolou barraco’, dias depois, quando Bolsonaro chamou Moro ao Palácio da Alvorada e foi curto e grosso com seu ministro: “não pode ajudar, por favor, não atrapalhe!”. A partir daí, Moro, que tinha perdido formalmente o Coaf, perdeu-o de fato e teve de se calar quando o “Mito” começou a desautorizá-lo diante da Polícia Federal.

A ressurreição da Lava Jato, nos últimos dias, a partir de desacreditadas delações de Antonio Palocci é a reação – quem sabe estimulada por ele próprio – da família ante o rompimento iminente. uma espécie de rebuliço para ver se as ruas domingueiras saem em sua defesa.

Aparentemente, em vão.

Moro, que já teve a promessa de tudo, parece viver a agonia de nada mais ter.

Exceto – e não se esqueçam disso – a ambição do poder.




TIJOLAÇO

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