Campanhas espalham-se pelo mundo todo contra as queimadas e o desmatamento na maior floresta tropical do planeta


FOTO: DIVULGAÇÃO/CHANGE.ORG

Os recorrentes ataques que a área ambiental vem sofrendo nos últimos meses levantou uma massa gigantesca de pessoas em prol da Amazônia. O aumento de 278% do desmatamento em julho e o crescimento de 83% das queimadas desde janeiro fez com que diversas manifestações em apoio à floresta surgissem dentro e fora do Brasil. Um movimento, hospedado na plataforma Change.org, reúne petições com mais de 8,3 milhões de assinaturas. As campanhas se posicionam principalmente contra o desmatamento e as queimadas.

Segundo o diretor da plataforma no Brasil, Rafael Sampaio, a mobilização alcançou um recorde mundial de assinaturas em mobilizações ainda abertas no site de abaixo-assinados. “Esta campanha viralizou rapidamente e é a maior da história da Change.org Brasil em sete anos, desde que a plataforma chegou ao nosso País, em 2012”, comenta. Em um intervalo de apenas 24 horas, verificado entre as 15 horas da terça-feira 20 e o mesmo horário da quarta-feira 21, uma única petição contra o desmatamento teve um aumento de 758% no total de assinaturas.

“O abaixo-assinado mostra que a sociedade brasileira se importa com a Amazônia. Os políticos deveriam dar ouvidos para os milhões de pessoas que assinam a petição”, afirma Sampaio.

A petição à qual o diretor da Change.org Brasil se refere e que cresceu 8,5 vezes em um único dia foi criada pela estudante de Direito Valéria dos Santos Magalhães, que mora em Manaus, capital do Amazonas. Em entrevista à CartaCapital no começo do mês, a manauara comentou que o curso da política ambiental no País a preocupava desde outubro do ano passado, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente e, então, ela decidiu criar a campanha pela Amazônia.

De lá para cá, devido ao agravamento da situação e aos tropeços na gestão do meio ambiente pelo governo federal, a mobilização da estudante já atingiu, sozinha, mais de 4,7 milhões de assinaturas e foi divulgada inclusive na Alemanha, onde recebeu o apoio de mais de 63 mil alemães. Na semana passada, por dúvidas quanto aos objetivos da política ambiental brasileira, o país europeu e a Noruega anunciaram o bloqueio de 155 milhões e 133 milhões, respectivamente, para projetos de preservação da Floresta Amazônica.
Queimadas deixam mundo em alerta

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a quantidade de queimadas aumentou 83% entre janeiro e o dia 19 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo intervalo de 2018. Nestes quase oito meses, foram identificados 72.843 focos de incêndios florestais. O cenário levou ao surgimento de outra mobilização online que visa pressionar o governo federal, governos estaduais, Ministério Público e Congresso Nacional.

A campanha #CPIdasQueimadas, aberta na terça-feira 20, soma 2,5 milhões de apoiadores para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seja instalada e investigue o aumento dos incêndios. Pelo Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciou na tarde desta quinta-feira 22 que a Casa irá criar uma comissão externa para acompanhar as queimadas e uma comissão geral para avaliar a situação e propor soluções ao governo.

“Os recentes incêndios na Amazônia foram a gota d’água que faltava para que as pessoas gritassem ‘basta!’. Para mim, cada assinatura é isso: um grito de ‘chega de querer destruir a Amazônia!’”, destaca o diretor da Change.org Brasil sobre a proporção que a campanha tomou.

O movimento “Ajude a Amazônia – #SaveAmazonRainforest”, que totaliza 8,3 milhões de assinaturas, reúne diversas petições nacionais e internacionais em defesa da floresta.
O outro lado

Em notícia publicada em seu portal oficial, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) informa que o governo federal está empenhado em combater queimadas e incêndios florestais que atingem estados da Amazônia. Durante a tarde desta quarta-feira 21, o ministro Ricardo Salles sobrevoou de helicóptero áreas atingidas pelo fogo no Estado do Mato Grosso.

Ainda de acordo com o comunicado, o ministro admitiu que, pelas informações obtidas junto aos órgãos locais e pelo que observou durante o sobrevoo de helicóptero, parte dos incêndios é incidental e outra parte intencional, o que configura crime ambiental.

“O governo está decidido a investir o que for necessário para conter as chamas e não há cortes na destinação de recursos para as atividades de prevenção e combate a incêndios florestais no âmbito do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”, diz trecho da nota.


CartaCapital

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