O presidente italiano, Sergio Matarella, pouco antes de novas discussões nesta quarta-feira (28).Palácio Presidencial

A Itália se prepara para um dia decisivo nesta quarta-feira (28) com um possível acordo entre o Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Partido Democrata (PD) para a formação de um novo governo ou a convocação de eleições pelo presidente Sergio Matarella.


Após negociações durante a noite, cancelamentos, discussões e reconciliações, o MS5 (antissistema) e o PD, maior partido de esquerda, têm uma reunião programada para discutir um programa comum e a divisão de ministério.
Fontes do M5S citaram um "positivo", enquanto líderes do PD se declararam "otimistas".


Há três semanas a Itália vive uma crise inédita, primeiro pela decisão de Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita), de romper em 8 de agosto a coalizão de governo que formava com o M5S.

Depois, em 20 de agosto, aconteceu a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte, que acusou Salvini de "priorizar seus interesses eleitorais" (ele tinha intenções de voto de 36/38%, que agora caíram para 31/33%), ao invés dos interesses do país.

Nova rodada de consultas


O presidente Mattarella iniciou na terça-feira (27) uma segunda rodada de consultas com a classe política, que deve terminar nesta quarta-feira.

A ideia de uma aliança entre PD e M5S foi apresentada pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi (fevereiro 2013-dezembro 2016) com os objetivos básicos de reduzir o número de parlamentares e estabelecer um orçamento de 2020 capaz de evitar o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), muito prejudicial para os consumidores.

Desde então, o projeto cresceu e passou a incluir propostas dos dois lados para estimular o apático crescimento econômico italiano com uma atenção especial aos desfavorecidos e ao meio ambiente, assim como com medidas de austeridade no Parlamento.

A grande discussão agora fica por conta da divisão de ministérios.
O PD retirou o veto à permanência de Giuseppe Conte como primeiro-ministro, mas sem uma declaração oficial. O M5S pressionou na terça-feira para obter um "ok formal" à manutenção de Conte, que tem uma grande popularidade no país.

Trump elogia Conte


Contra todos os prognósticos, o presidente americano Donald Trump expressou apoio a Conte, que chamou de "homem de muito talento" e que "representou a Itália com força no G7".

Com sua forte bancada parlamentar (foi o movimento que recebeu mais votos (32%) nas legislativas de 2018), o M5S quer um destaque nos ministérios. Em contrapartida à aprovação do nome de Conte, segundo a imprensa, o PD teria solicitado ministério importantes, como Economia e Relações Exteriores.

Outro problema é o destino do atual vice-primeiro-ministro e líder do M5S Luigi Di Maio, que ficou enfraquecido na crise. O M5S desmentiu que Di Maio pediu para assumir o ministério do Interior, atualmente nas mãos de Matteo Salvini.

O PD quer um de seus dirigentes como vice-premiê, por considerar que Conte, próximo ao M5S, como primeiro-ministro precisa estar acompanhado de um número dois do Partido Democrata. Sem um acordo de "maioria sólida" para uma nova coalizão, o presidente Mattarella convocaria novas eleições legislativas para 10 de novembro.


RFI

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