ALEXANDRE PUTTI
26 DE AGOSTO DE 2019




O procurador confessou que colocou o outdoor elogiando a operação, mas atitude foi abafada por Dallagnol e integrantes da Lava Jato

O site The Intercept Brasil divulgou, na manhã desta segunda-feira 26, mais um vazamento da operação Lava Jato. Dessa vez, a reportagem revela áudios do Telegram que provam que o procurador do MPF Diogo Castor de Barros pagou pela colocação de um outdoor de apoio à operação em frente ao aeroporto de Curitiba, em março deste ano. A atitude do integrante da Lava Jato é proibida.

Na época, a Lava Jato negou publicamente que a confecção da peça tivesse sido encomendada por membros da força-tarefa, mas um coletivo de advogados entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público exigindo investigação sobre sua autoria e financiamento, alegando que a propaganda feria o princípio da impessoalidade.

Barros pediu afastamento da Lava Jato em abril deste ano alegando estar com problemas psiquiátricos. Logo após sair, o diálogo obtido pelo Intercept mostra que o ex-procurador confessou o que tinha feito para o corregedor-geral do Ministério Público Federal.

Os procuradores atuaram para abafar o caso e tentar salvar o colega de profissão. O lobby foi bem sucedido e o CNMP arquivou um pedido de investigação alegando que não havia indícios da participação de membros do MPF no aluguel do outdoor.

Em conversas reservadas no aplicativo Telegram, Dallagnol e outros procuradores da força-tarefa também recomendaram “sigilo total” aos colegas, para o caso não ganhar repercussão na imprensa.

No dia 07 de abril de 2019, em um grupo que reúne quatro procuradores – Deltan Dallagnol, Orlando Martello, Paulo Galvão e Julio Noronha – Martello classificou o ato de Castor de Mattos como uma “traição”.

“Falo pra nós aqui, tá? Ele traiu o grupo ao fazer uma coisa sem comunicar a todos”, disse Orlando Martello, em áudio de Telegram revelado pelo The Intercept Brasil


O procurador, no entanto, ressaltou que o colega poderia voltar para a Lava Jato, no futuro, se o caso não se tornasse um escândalo público.




Em outra gravação, o procurador Paulo Galvão diz que Castor de Mattos prestou as informações “espontaneamente” à corregedoria. Também enfatizava aos colegas que o motivo oficial do pedido de afastamento era o tratamento de saúde.




O procurador Julio Noronha, também em uma fala enviada no grupo, pondera que, se a força-tarefa justificasse a saída de Castor de Mattos apenas pela questão de saúde, estaria sendo “conivente além do necessário com a situação”.



CartaCapital

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