\ \


Enquanto no Brasil o livre mercado dos oligopólios e da especulação se apresentam com discurso e como solução única, Berlim, Londres, Paris, Barcelona e Amsterdã, metrópoles (possivelmente "comunistas") do capitalismo central estão tomando decisões para controlar e regular os aluguéis residenciais.


Em abril milhares de alemães manifestaram em Berlim e outas dos cidades contra a alta dos alugueis. Fonte: DW.

Estas cidades globais e seus estados nacionais consideram que o crédito da máquina das dívidas, os investimentos transfronteiriços dos fundos globais e o crescimento populacional (e migração) aumentaram a demanda por residências nessas cidades, numa espiral que "tem expulsado a classe média para a periferia", segundo uma boa matéria do jornalista Assis Moreira, correspondente do Valor, em Genebra, na Suíça. [1]

As alternativas que já estão em vigor passa por determinação de congelamento do aluguel por cinco anos, por fixação de preços superiores por bairro, data de construção do imóvel, tamanho e a condição se mobiliado.

As autoridades de Berlim dizem claramente que não querem se transformar numa Londres, onde o preço do aluguel por m² é quase igual de Paris, onde custa EU $26 por m².

Em Berlim, o preço subiu 39% em dez anos e os salários estão praticamente estáveis, segundo as autoridades, mesmo que o aluguem esteja em cerca de EU $ 9/m², um terço de Londres e Paris.
Moreira diz ainda que na "Suíça, país liberal, a alta do aluguel é fortemente regulada e precisa de justificativas".

Interessante que o centro do capitalismo mundial no Ocidente esteja regulando até o valor do aluguel como proteção às pessoas, enquanto na periferia do capitalismo, a ideia em curso é entregar tudo e de graça para o mercado.

O setor imobiliário é um dos que mais movimentam investimentos em todo o mundo. Além de oferecer garantia da propriedade, eles passaram a ter uma liquidez ampliada, na medida em que os fundos imobiliários (FIIs) passaram a se donos de muitos imóveis que eram de pessoas físicas. O fato também eliminou cobrança de impostos sobre aluguéis em muitos países.

O autor da reportagem cita que os imóveis residenciais acumulam é um dos setores que acumulam ativos na economia global, onde se estima um volume entre US$ 100 trilhões e US$ 120 trilhões. Só os investimentos para novas construções alavancam financiamentos de cerca de US$ 30 trilhões. [2]

Além do aumento dos preços dos alugueis residenciais, a nível global, também subiu o valor médio dos imóveis em cerca de 15% desde 2012, embora haja diferenças conformes as economia de diferentes países, onde há países com variações positivas, certa estabilidade em outros e redução de preços em outros grupos de países.

Porém, em meio a este conjunto de informações relevantes sobre essa importante fração capital (setor imobiliário), é interessante constatar que já há quem compreenda - no capitalismo contemporâneo - e esteja agindo para limitar e regular as ações livres do mercado, que aqui no Brasil atual, se passou a julgar que seria a solução para todos os nosso males. Qual o quê.




Referências:
[1] Matéria do Valor em 23 jul. 2019. P. A9. MOREIRA, Assis. Europa amplia controle sobre aluguel residencial: governos locais e nacionais buscam conter alta dos preços. Disponível em: https://www.valor.com.br/internacional/6360647/europa-amplia-controle-sobre-aluguel-residencial


[2] Matéria do Valor em 23 jul. 2019. P. A9. MOREIRA, Assis. Preços de imóveis está crescendo menos no mundo. Disponível em: https://www.valor.com.br/internacional/6360649/preco-de-imoveis-esta-crescendo-menos-no-mundo




Blog do Roberto Moraes

Faça um comentário

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem