Johnny Clegg numa atuação em 2010. Foto de Damien. Flickr


“Nunca o vemos.” Em zulu diz-se “asimbonanga” e é o nome de uma canção feita por Clegg e que faz parte do imaginário cultural internacional. É uma homenagem a Nelson Mandela então preso. Aliás, Clegg instia que o seu “momento pináculo” tinha acontecido em 1997 na Alemanha enquanto cantava essa canção e foi surpreendido com a entrada de Mandela que se juntou à atuação.

Johnny Clegg nasceu nos arredores de Manchester mas passou a adolescência na África do Sul. Depois de uma passagem pelo Zimbabwe, de onde a sua mãe, música de jazz, era originária.

Em Joanesburgo aprendeu a música e as danças zulus. Segundo o próprio, foi Charlie Mzila, um músico de rua, um dos seus principais mestres na altura.



Manteve o mesmo foco na cultura zulu quando estudou antropologia na Universidade de Wits estudou antropologia e quando, depois, foi leitor na mesma instituição.

As suas bandas, Juluka e Savuka, eram multi-raciais numa altura em que a segregação racial tinha a força de lei. Assim, foi impedido de tocar em muitos sítios. Contornava as proibições tocando em universidades, igrejas, alojamentos para migrantes. Também chegou a ser preso pelo que cantava. Mas insistiu.

Juluka, que significa “doce” em zulu, é uma banda que nasce de um outro encontro com um trabalhador migrante, Sipho Mchunu. A banda lança o primeiro álbum em 1979. Sem possibilidade de obter êxito comercial na África do Sul, o disco vale contudo uma digressão pela Europa e América do Norte. Depois a banda termina com o regresso de Mchunu à sua quinta familiar em 1985.

Clegg forma outra: Savuka, que quer dizer “erguemo-nos”. O sucesso mundial chega em 1987 com Asimbonanga. O grupo chega ao fim em 1992 com o assassinato a tiro do seu companheiro Dudu Zulu.

Clegg afirmava que a sua exploração das culturas tradicionais o tinha “libertado para examinar uma outra maneira de ver o mundo” e que a “música e a dança o deixaram em paz com o mundo e comigo.” Doente há vários anos sublinhava como balanço da sua carreira “recompensadora” ter “sido capaz de unir pessoas através das canções, especialmente num tempo em que parecia impossível”.


Esquerda

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