Haroldo Lima, ex-deputado federal e dirigente do PCdoB (foto: Portal Vermelho)

Por Hora do Povo
“É sempre muito importante homenagear João Goulart, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Oscar Niemeyer e Paulo Freire. Mas tendo um governo obscurantista, essa importância cresce muito”, disse o ex-deputado federal, e dirigente do PCdoB, Haroldo Lima, na homenagem aos criadores da Universidade de Brasília (UnB), promovida pela União Nacional dos Estudantes (UNE).

Além de Haroldo Lima, a homenagem contou com a presença da ex-primeira dama e viúva de Jango, Maria Tereza, do filho do ex-presidente, João Vicente Goulart, de Márcia Abrahão Moura, reitora da UnB, de Maria de Nazareth Gama e Silva, da Fundação Darcy Ribeiro, e de Paulo Padilha, do Instituto Paulo Freire.

Para Haroldo, “o governo entra em cena atacando a educação, porque sabe que em um povo com educação de qualidade essas ideias absurdas não podem prosperar. E surge também essa bela e enérgica resistência que a UNE tem feito”.

“Essa ideia persecutória, essa aversão à ciência e ao conhecimento, que vemos hoje nesse governo, é filha da ideia persecutória da ditadura militar. Mas a verdade está do nosso lado, e não do deles. O próprio presidente se elegeu na base da mentira, das fake news, afinal de contas”.

“É importante chamar atenção para o fato de que o nosso país está vivendo momentos ruins, momentos sombrios. Grupos obscurantistas se articularam e ganharam a Presidência da República. Articulam, agora, um governo racista, misógino, corrupto e atrasado. Começaram a pôr em prática uma política abertamente antinacional, sabotando os direitos dos trabalhadores”, comentou.

O governo e as ideias de Bolsonaro são, para o ex-deputado, “o atraso, a velhice ideológica. Vai contra a mocidade, a coisa nova que o futuro do país deve ser”.

“O governo abandonou a ideia de desenvolvimento, abandonou a ideia de recuperar os empregos dos trabalhadores, deixou os trabalhadores abandonados. Quer vender nossas riquezas a preço de banana, liquidando com tudo”, afirmou.

Para além do capachismo, “é importante perceber o obscurantismo que existe nesse governo. Eles têm como guru um cara que mora escondido nos Estados Unidos e que é uma imbecilidade total, que é o Olavo de Carvalho. Ele chega a falar que não está completamente comprovado que a Terra é redonda, enfrenta todos os cientistas sérios, enfrenta Isaac Newton, Albert Einstein, Charles Darwin. Tem seguidores dele no governo. Essas ideias não podem prosperar em um país com educação”.

“Eles pretendem desestruturar o sistema educacional do Brasil. Esse sistema não foi simples de ser feito, é resultado de décadas de discussão partindo do ‘Manifesto dos Pioneiros da Educação’, de 1932”.

“Vejam, eu divido a história do Brasil em duas: a de antes da década de 1930 e a de depois. Não havia voto secreto, mulheres não podiam votar, não havia direitos trabalhistas. Até a revolução de 1930, que permitiu a criação da Petrobrás, dos direitos e os pensamentos dos pedagogos de 1932”.

“Foi no fluxo revolucionário e inovador da revolução de 1930 que jovens, reparem vocês, jovens se reuniram em São Paulo e afirmaram que era preciso fazer educação pública, era preciso fazer educação gratuita, era preciso fazer educação laica, era preciso fazer educação universal, e é preciso que haja obrigatoriedade da educação em todos os lugares do Brasil”.

“Esse grupo pensou a Universidade do Distrito Federal, a UDF, que seria no Rio de Janeiro e não seria um apanhado de faculdades, como eram as universidades da época. O plano foi frustrado, mas dele surgiu a ideia de fazer a Universidade de Brasília (UnB), que hoje sedia esse Congresso. Uma universidade transgressora, de pensamento crítico, o que fez com que não muito tempo depois de sua fundação fosse alvo de perseguição e sabotagem da ditadura militar”.

“Esse é o acúmulo de ideias e de conhecimento que eles querem destruir em nosso país”, concluiu.

Haroldo admitiu estar emocionado com o convite de participar do 57º Congresso da UNE: “Estou com meus cabelos brancos, uma militância de mais de 50 anos, já fui preso, já estive na clandestinidade, já fui deputado federal. Mas a minha garra aparece quando eu vejo a juventude, é quando meu fôlego cresce. Vocês da UNE são o sangue novo de nosso país”.

“Ver a juventude homenagear Paulo Freire, que é o patrono de nossa educação, João Goulart, que foi o presidente que viabilizou a construção da UnB, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, que foram os homens que conceberam essa universidade, e Oscar Niemeyer, que assim como foi o criador de Brasília, foi o da UnB, me mostra que a juventude não está perdida e vai pra briga”.




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