Ernesto Araújo quase levou o Brasil à guerra, diz Celso Amorim (Foto: Wilson Dias/Agencia Brasil)

O ex-chanceler, Celso Amorim, que fez carreira no Itamaraty e é reconhecido internacionalmente como o melhor a ocupar o posto, viu sua fleuma forjada na experiência como diplomata, chegar ao limite, com as agressões feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, aos embaixadores brasileiros que passaram por Washington.

Amorim constatou na declaração um ataque à instituição brasileira mais respeitada no exterior, o Itamaraty. Para o ex-chanceler, “a destruição do Itamaraty não é uma gafe. É um projeto. Desacreditar os embaixadores altamente qualificados, todos eles independentemente de inclinações políticas, é parte do projeto.”

Não bastasse a indignação experimentada com a declaração e a indicação nepotista de Eduardo Bolsonaro, Amorim ainda vê na ida do filho 03 para Washington, uma consolidação perigosa. “Está-se fortalecendo um eixo de extrema-direita nos dois países de maior importância do continente, o que é muito perigoso”, aponta.

A declaração do presidente sequer foi feita dentro do seu próprio país, mas durante entrevista coletiva na 54ª Cúpula do Mercosul, em Santa Fé, na Argentina. Bolsonaro delimitou o período em que considera que nada foi produzido de bom pelas personalidades que passaram pelo cargo, uma forma de fustigar diretamente os governos petistas, sua verdadeira fixação.

"Se vocês pegarem de 2003 para cá, o que os embaixadores nossos, que tivemos do Brasil nos Estados Unidos, fizeram de bom para nós? Nada", disse Jair Bolsonaro na Argentina, ao defender a indicação do filho Eduardo Bolsonaro.

A declaração é uma agressão aos embaixadores Antonio Barbosa (1999-2004), Roberto Abdenur (2004-2007), Antonio Patriota (2007 a 2009), Mauro Vieira (2010 a 2014), Luiz Alberto Figueiredo (2015 a 2016) e Sergio Amaral (2016 até junho deste ano), conforme relacionou mais cedo, um texto do 247.




Brasil 247

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