Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Com Lula preso e Fernando Haddad candidato ao Planalto já no segundo turno, o procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, aparentemente precisava de uma nova bomba contra o PT para facilitar a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro.

Por isso, em outubro de 2018, segundo a repórter Mônica Bergamo, Dallagnol mandou mensagem a colegas: “Caros, Jaques Wagner evoluiu? É agora ou nunca… Temos alguma chance?”.

Eleito para o Senado, Wagner era àquela altura um importante articulador nos bastidores da campanha de Haddad.

Além disso, em caso de vitória do petista, era candidato a um cargo importante num eventual governo petista, como o de chefe da Casa Civil.

Wagner teria, antes, o papel de garantir uma imensa votação para o PT na Bahia — o que de fato aconteceu.

No segundo turno, Haddad venceu com 72,69% dos votos dos baianos.

Parte do diálogo, um procurador respondeu a Dallagnol:

“Um procurador identificado como Athayde (provavelmente Athayde Ribeiro Costa) responde: As primeiras quebras em face dele não foram deferidas. Mas novos fatos surgiram e eles iriam pedir reconsideração“.

Deltan foi adiante na conversa: “Isso é urgentíssimo. Tipo agora ou nunca kkkkk”.

Athayde lembra que, com Wagner eleito, ele já teria direito a foro privilegiado em Brasília.

Deltan respondeu: “Não impactará, mas só podemos fazer BAs [operações de busca e apreensão] nele antes [da posse]”.

Ou seja, o chefe da Lava Jato de Curitiba buscava oportunidade para fazer um show midiático com Wagner às vésperas do segundo turno.

As mensagens foram trocadas em 24 de outubro, quatro dias antes de Bolsonaro ser eleito presidente.

No mesmo diálogo, uma procuradora lembrou a Deltan que Wagner já havia sido alvo de busca e apreensão.

Em 26 de fevereiro de 2018, a Polícia Federal havia feito busca e apreensão no apartamento de Jaques Wagner em Salvador, na Operação Cartão Vermelho, que apura desvios na construção da Fonte Nova.

Até então, o governador baiano era um dos nomes cotados para substituir o ex-presidente Lula, se ele não pudesse concorrer ao Planalto.

De acordo com Mônica Bérgamo, Deltan insistiu com os colegas: “Acho que se tivermos coisa pra denúncia, vale outra BA até, por questão simbólica. Mas temos que ter um caso forte”.


Viomundo

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