O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia - Foto Orlando Brito

O problema não é bem a inclusão dos estados, nem as aposentadorias de policiais e professores. Nem tampouco foi a frase infeliz do ministro Paulo Guedes chamando o Congresso de “máquina de corrupção” que estragou o clima. O que pegou mesmo, e provocou o chabu que deve jogar a votação da Previdência no plenário para o segundo semestre, foi a desconfiança dos deputados de que não vão ver a cor dos R$ 20 milhões em emendas extras prometidos a cada um.

Onyx Lorenzzoni e Jair Bolsonaro – Foto Orlando Brito

Simples assim. O então articulador político do Planalto, Onyx Lorenzoni, acertou com os líderes do Centrão que pagaria a cada deputado R$ 10 milhões pelo voto na comissão especial e mais R$ 10 milhões extras pelo plenário. Acordo feito no fio do bigode, chancelado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

General Luiz Eduardo Ramos – Foto Orlando Brito

Só que, no dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro destituiu Onyx da função de articulador político do governo, anunciando sua substituição pelo general Luiz Eduardo Ramos, que só assume em julho. A negociação política da reforma da Previdência está, portanto, nas mãos de um novo articulador, o Deus-dará. Afinal, Maia faz sua parte no Congresso, mas não responde pelo governo – aliás, muito pelo contrário. Quem vai garantir o pagamento?

Por mais que se tente disfarçar as razões do adiamento da votação na Comissão especial – e, de fato, ainda são muitos os acertos a serem feitos no conteúdo da proposta – o principal problema foi criado por mais um tiro no pé desferido por Jair Bolsonaro. Quem disse mesmo que ele quer a Previdência?



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