O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub — Foto: Casa Civil/PR

Por Lilian Milena

Jornal GGN – O coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, avalia a mudança no Ministério da Educação (MEC) como mais um passo para a deterioração nas políticas educacionais no país.

Em uma mensagem enviada a rede da Campanha, Cara pontua que Abraham Weintraub, assim como o antecessor, Ricardo Vélez Rodriguez, também foi uma indicação do escritor e guru do governo Bolsonaro, Olavo de Carvalho. Mas isso não quer dizer que no comando da pasta houve uma “troca seis por meia dúzia”.

“Tem aí uma mudança na agenda do Ministério da Educação”, pondera Daniel explicando que “a diferença fundamental” entre Vélez Rodriguez e Weintraub é que o segundo é apoiado pelos ultraliberais de Paulo Guedes.


Cara lembra ainda que Weintraub é o economista articulador da Reforma da Previdência. E essa é a sua grande especialidade, e não a educação.

“O novo ministro acredita nessa proposta econômica do Paulo Guedes, é especialista em Previdência, não entende nada de educação (assim como Vélez Rodriguez, diga-se de passagem). E ele vai submeter [o MEC] a essa ideia absurda de Paulo Guedes de que não é preciso mais ter as vinculações constitucionais, às despesas obrigatórias em Educação, Saúde, nas demais áreas sociais”, destaca o especialista em políticas para a educação.

Aqui vale destacar que o MEC é um dos ministérios mais cobiçados da Explanada, com orçamento de R$ 100 bilhões por ano. Portanto é uma pasta que atrairá os interesses da iniciativa privada.

Outra diferença é que, enquanto Vélez Rodriguez defendia como prioridade a militarização nas escolas, “Abraham Weintraub vai defender como prioridade a guerra cultura olavista. É nisso que ele acredita”, pontua Daniel.

E isso irá acontecer, na avaliação do educador, porque sob o comando de Weintraub o Ministério da Educação ficará submetido concretamente aos programas econômicos de Paulo Guedes. Além disso, Daniel Cara destaca que o terreno para o desmonte do MEC e investimentos para o setor foi aplainado ainda no governo Temer, com a Emenda Constitucional nº 95 – chamada oficialmente de regra do “teto dos gastos”, mas por especialistas de “PEC das desigualdades”.

“Agora Paulo Guedes quer algo ainda pior: o fim total das vinculações constitucionais, o fim total do investimento obrigatório para educação e isso significa também o fim do Fundeb e o fim do Plano Nacional da Educação, que já está muito comprometido”.

Todo esse cenário irá determinar a política para o Ministério da Educação. Na falta de uma gestão baseada na expansão de políticas e recursos para o setor, o que sobrará será “a guerra cultural olavista”, defendida por Bolsonaro e que “se baseia no combate a um suposto marxismo cultural”, observa Cara.

“É o que vai sobrar, o que é possível ser feito para um ministério que vai ser esvaziado em termos de política educacional. Então, a tendência é gravíssima, até pior do que com Ricardo Vélez Rodriguez, porque o combate à militarização de escolas [sua principal bandeira] poderia ser feito de diversas maneiras”, explica.

“Mas o combate à guerra cultural bolsonarista vai ser muito mais intenso, muito mais difícil de ser enfrentado, até porque vai mobilizar toda a militância do Jair Messias Bolsonaro”, completa.

A perspectiva, portanto, é que no governo Bolsonaro não haverá avanço para a educação. Pelo contrário, o cenário aponta para a “mediocrização da pauta”, analisa Daniel Cara.

Ele conclui também que a mudança na direção do MEC é o primeiro revés dos militares no governo Bolsonaro.

“Até porque o Abraham Wentraub tem se comprometido a retirar ou diminuir o poder dos militares, que ocupam o Ministério da Educação”, disse acrescentando que a troca apenas aumenta a desorganização geral da educação brasileira em um governo “que está em quase colapso”.





GGN

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