Um crime bárbaro chocou o Brasil no último dia 7. Uma família passeava de carro pela Zona Oeste do Rio de Janeiro quando foi alvejada. Foram 80 tiros disparados contra o carro onde se encontrava a família do músico de 51 anos Evaldo dos Santos Rosa, que não resistiu aos ferimentos e faleceu acompanhado de seu filho de 7 anos e de sua esposa.

O mais revoltante de toda o crime é que a autoria não foi de "bandidos" em alguma tentativa de assalto, mas sim de militares do Exército brasileiro. Segundo testemunhas e a própria Polícia Civil, não há nenhum indício de comportamento suspeito ou reação por parte das vítimas que justificasse algum tipo de legítima defesa por parte dos militares, que dispararam 80 vezes contra o carro sem qualquer razão.

A Polícia Militar está acostumada a matar. Os ditos casos isolados fazem a polícia brasileira ser a que mais mata no mundo. Isso porque as estatísticas apenas apontam para os assassinatos cometidos no exercício da função. Aqueles cometidos por policiais envolvidos com a milícia e com grupos de extermínio somam ainda outra categoria tornando difícil precisar a letalidade da Polícia Militar no Brasil.

Mas o que isso tem a ver com Sérgio Moro?


Você já deve ter ouvido falar da lei anticrime, idealizada recentemente pelo ministro Sérgio Moro. Esta lei basicamente garante impunidade aos crimes hediondos cometidos por militares no exercício da função. Crimes como o cometido contra a família de Evaldo, que nunca mais será a mesma. Crimes como os cometidos contra Jhonatta, Eduardo (10 anos), Amarildo, Maria Eduarda e tantas outras vítimas do despreparo e da incompetência da Polícia Militar e do Exército brasileiro.

O caso recente do qual tratamos nesta matéria está a cargo da Justiça Militar. Ou seja, os próprios militares irão investigar e julgar a ação cometida por militares. Parece contraditório? Porque é. Quem nunca ouviu falar nos autos de resistência? Situações em que a Polícia Militar assassina pessoas inocentes em operações em comunidades e forja confrontos para justificar a ação? O pacote anticrime de Sérgio Moro torna a punição aos crimes cometidos pela PM ainda mais difícil de ser aplicada. Ou seja, a lei anticrime é na verdade uma lei "prócrime".

Nada trará Evaldo de volta, mas ainda podemos evitar que novos Evaldos sejam mortos dessa maneira e que casos como esses não dêem em nada. A Polícia Militar dos casos isolados não pode ter permissão para matar. A lei anticrime de Sérgio Moro precisa ser barrada. Por todas as vítimas do Estado.

CMI Brasil

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