Foto: Reuters

O Brasil é a carne amaciada para o banquete internacional
Por Roberto Bitencourt da Silva

Dados relativos à balança comercial, disponibilizados pelo Banco Central, registram que o óleo bruto foi o principal produto exportado no ano passado. Na seção importações, o óleo diesel, o óleo refinado, foi o sexto produto mais comprado no exterior.

Números que demonstram um País que abdica o domínio e a utilização de uma tecnologia de mais de 100 anos e paga caríssimo por isso, com custos econômicos e extraeconômicos consideráveis. Um padrão colonial de economia.

Além do mais, distante do modelo original de sua criação – que previa o controle acionário/patrimonial pelo Estado e agentes privados e públicos nacionais – a Petrobras pós-FHC, vendendo ações também para estrangeiros, faz com que o Povo pague caro por uma riqueza natural sua, uma dádiva do território e das águas nacionais, única e exclusivamente, para gerar dividendos para parasitas financistas e transferir riquezas nossas para fora.


Nos empobrecemos e alienamos o nosso destino enquanto Nação, para enriquecer outras praças e incrementar as assimetrias de poder mundial, chumbando-nos em posição impotente, marginal, dependente e subalterna. Traços importantes das célebres “perdas internacionais” a que se referia Leonel Brizola.

Além dos problemas mencionados acima, que guardam relação com o nefasto fenômeno da intensa desnacionalização dos setores produtivos e financeiros do País, o vende pátria presidente Jair Bolsonaro reiterou, nesses dias, a sua notória intenção de entregar a exploração dos recursos naturais da Amazônia brasileira para os EUA.

Mais transferências de riquezas/excedentes nacionais para o exterior, maior alienação da soberania territorial, política e econômica, terrível devastação ambiental, provável extermínio de indígenas brasileiros, menor capacidade de controle e delineamento de um caminho autônomo para o País.

Todos problemas de décadas. Mas, que têm se intensificado sobremaneira e de forma deliberada pelos governos Temer e, agora, Bolsonaro. Com lastro em escolhas de demais governos anteriores, pós-1964, porém com grau inaudito de subserviência a poderosos interesses imperialistas e uma acintosa visão neocolonial de País.

Dito isso, a atual peça publicitária “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”, veiculada na televisão, observa que o “mamão é tech”, sob o argumento de que a sua substância chamada papaína serve para “amaciar a carne”.

Convenhamos, a papaína extraída do mamão deve estar sendo bastante utilizada no País e no exterior. Possivelmente, apresenta expressivo aumento de vendas e exportações… Servindo para melhor amaciar o Brasil e o Povo Trabalhador Brasileiro – concebidos como carnes para o banquete internacional, em especial para o consumo dos EUA.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.





GGN

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