Samurai Ronin; reprodução You Tube


O diretor de cinema José Padilha, de “Tropa de Elite”, está arrependido.

Foi o que escreveu na edição desta terça-feira daFolha de S. Paulo.

Analisando o pacote anti-crime de Moro, Padilha disse que as medidas vão fortalecer as milícias.

A certa altura, afirma: “Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”.

Para o diretor, crimes cometidos por policiais, que têm hoje um índice baixíssimo de resolução, deixarão de ser apurados: “Aprovado o pacote anticrime de Sergio Moro, esse número [da taxa de resolução] vai tender a zero. Isso porque o pacote prevê que, para justificar legitima defesa, bastará que o policial diga que estava sob “medo, surpresa ou violenta emoção” —ou, ainda, que realizava “ação para prevenir injusta e iminente agressão”. O hábito que os policiais milicianos têm de plantar armas e drogas nos corpos de suas vítimas para justificar execuções é tão usual que deu origem a um jargão: todo bom miliciano carrega consigo um “kit bandido”. Aprovado o pacote de Moro, nem de “kit bandido” os milicianos precisarão mais”.

O final do texto é retumbante: “Ora, no contexto brasileiro, é obvio que o pacote anticrime de Moro vai estimular a violência policial, o crescimento das milícias e sua influência política. Sergio Moro foi de “samurai ronin” a “antiFalcone”. Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia”.

Na imaginação da extrema-direita, Padilha é figura-chave do desmantelamento do “Mecanismo”, nome da série que dirigiu para a Netflix sobre a Operação Lava Jato.

Quando foi lançada, sofreu boicote de telespectadores por colocar na boca do personagem que seria o ex-presidente Lula a frase “estancar a sangria”, que na verdade foi dita por Romero Jucá no contexto de dar o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff com o objetivo de paralisar as investigações da Lava Jato.

À época, Padilha considerou a polêmica demonstração de hipocrisia de gente de esquerda: “Sinto muito. A esquerda enlouqueceu e ficou tão hipócrita quanto a direita. Hoje, estão todos de mãos dadas: os formadores de opinião da esquerda, Aécio Neves e Temer, torcendo para que o STF revogue a prisão em segunda instância”.

Hoje, diante do artigo de Padilha reconhecendo o erro, o perfil do ex-presidente Lula no twitter não perdoou: “Imagina quando ele ler a sentença e descobrir que Moro condenou Lula sem provas, por “atos indeterminados”, para que não concorresse em 2018 e seu chefe, Bolsonaro, pudesse chegar ao poder?”




Viomundo

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