Por Pâmela Oliveira I Brasil de Fato

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) lançou semana passada a Campanha Nacional de Arrecadação de Alimentos “Periferia Sem Fome”. A campanha teve início no dia 18 de abril e vai até o dia 17 de maio.

Todos os alimentos arrecadados serão destinados às famílias que fazem parte das ocupações e das comunidades acompanhadas pelo movimento. As arrecadações serão feitas em pontos de coleta nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Também podem ser feitas doações virtuais por meio do site do movimento.

Além das doações de alimentos não perecíveis, a população pode contribuir, também, criando um ponto de arrecadação. Para isso, basta enviar um e-mail para periferiasemfome@gmail.com solicitando as orientações. Os resultados da campanha “Periferia Sem Fome” serão divulgados no dia 18 de maio, em um Café da Manhã Solidário, na Ocupação Vila Nova Palestina, na capital paulista.

Para Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, as políticas de austeridade agravam as condições de alimentação da população.

“A cada dia que passa, a vida do nosso povo só piora. Desemprego, redução salarial, perda de oportunidades. Milhões de brasileiros voltaram a conviver com o fantasma da fome e por isso o MTST lança a campanha”, afirma.

A nota lançada pelo movimento para divulgar a campanha relembra que o direito à alimentação foi incluído, em 2010, no artigo 6º da Constituição Federal e, portanto, deveria ser assegurado pelo Estado brasileiro.

Mapa da Fome


O Brasil voltou aos patamares de pobreza e extrema pobreza de doze anos atrás, segundo o levantamento da ActionAid Brasil. Dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), do IBGE, mostram que, entre 2016 e 2017, a pobreza da população passou de 25,7% para 26,5%. Enquanto os extremamente pobres, que vivem com menos de R$ 140 mensais (pela definição do Banco Mundial), saltaram de 6,6%, em 2016, para 7,4%, em 2017.

Com a baixa renda, a insegurança alimentar volta a ser uma realidade para o país, que há três anos havia deixado o Mapa da Fome da ONU. Na contramão da resolução desse problema, o qual afeta milhares de brasileiros, em janeiro, o Governo Bolsonaro realizou o fechamento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) por conta das mudanças administrativas trazidas pela Medida Provisória 870 de 2019.

O Consea compunha o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), órgão que contribuiu para a formulação de políticas públicas de combate à fome e de incentivo à produção de alimentos saudáveis no país, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), lançado pelo governo Lula (PT) como um dos “braços” do programa Fome Zero.




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