Ao esconder a campanha de Lula, Rede Globo age abertamente como partido político, não como empresa jornalística


Joaquim de Carvalho, DCM

A lei eleitoral, de número n° 9.504/97, não deixa dúvida: em seu artigo 36-A, obriga as emissoras de rádio e televisão a dar tratamento isonômico — isto é, de acordo com o mesmo critério — a todos os candidatos e partidos durante a campanha.

Mas não é o que tem ocorrido nos noticiários veiculados por essas emissoras, que são concessões públicas.


Os telejornais da TV Globo, por exemplo, dão espaço a todos os candidatos mais bem colocados na pesquisa (é um critério), mas, para a candidatura do PT/PCdoB/PROS, primeira colocada nas consultas de intenção de voto, reserva uma nota em que o apresentador lembra que Lula está preso, “condenado pelo caso do triplex do Guarujá”. Ou, às vezes, nem isso: omitem a candidatura.

Sim, Lula está preso, mas sua campanha, apesar da ausência física dele, está na rua, e já tem o apoio de praticamente metade dos eleitores que decidiram em quem votar. É a campanha, por sinal, que mais reúne eleitor em seus atos públicos.

Já os demais, à exceção de Bolsonaro, aparecem em eventos como reunião em associações ou caminhando pela rua, feiras ou mercados, para cumprimentar eleitores.

Esse tipo de expediente, caminhar pela rua, é um recurso que os candidatos usam quando não têm o que mostrar.

Serve apenas para gerar imagens para o noticiário de TV. É um truque das campanhas, e as TVs mostram sem avisar. Às vezes, o candidato caminha um quarteirão, o suficiente para garantir as imagens que serão cobertas pela locução “o candidato cumprimentou eleitores e depois falou com a imprensa”, e vai embora.


É um teatrinho.

Já a campanha de Lula, com Haddad na condição de vice e porta-voz, tem lotado as ruas, como se viu em Aracaju, Sergipe, na tarde e noite de quarta-feira. Nenhum marqueteiro consegue reunir aquele tanto de gente. É um ato realmente espontâneo, é a campanha em estado puro, noticia genuína.

O mesmo aconteceu com Bolsonaro em Presidente Prudente, interior do Estado, no mesmo dia. Tinha muita gente.

A Globo e as demais emissoras mostraram Bolsonaro, esconderam o PT e seus coligados, entre os quais o PCdoB.

Além da desonestidade com o público, mostrou que não respeita a lei e é por isso que os advogados da coligação “O Povo Feliz de Novo” recorreram ao TSE, para denunciar a violação da lei eleitoral e solicitar uma medida liminar para que as emissoras mostrem as atividades de campanha.


Se no Brasil a chamada grande imprensa fizesse jornalismo, não seria necessário recorrer à lei para mostrar os candidatos mobilizam as massas.

É de interesse público, é notícia.

Mas, no Brasil, essa imprensa, viciada em negócios, dá mais valor ao teatrinho da caminhada do candidato pela rua do que mostrar o formigueiro de gente que a ideia Lula gera ao propagar sua mensagem.

Definitivamente, a imprensa se comporta como partido político, e sua missão é esconder Lula ou tudo que possa remeter às suas propostas ou à memória de seu governo, que terminou com 87% dos brasileiros o considerando ótimo ou bom.

Não é jornalismo.
Pragmatismo Político

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