A anunciada ausência de Jair Bolsonaro dos próximos debates entre candidatos a presidência não deriva apenas de uma estratégia, comum entre candidatos que lideram as pesquisas, de evitar confrontações desgastantes com adversários que farão de tudo para abatê-lo.

É quase uma confissão – e ao que tudo indica, verdadeira – de que ele não tem preparo ou capacidade para articular pensamentos e para administrar fala e gestos quando confrontado.

E olhe que a ironia e presença de espírito, entre os que participam daquele clube amável, onde todos querem ser “o mais simpático”, são artigos em falta, se comparado a disputas mais antigas.

Até porque a “marquetagem” os tornou algo semelhante a atores, e atores limitados, onde são raros os “cacos” e improvisos, todos acorrentados pelo tempo ridículo, sempre em torno de um minuto, no qual só se pode fingir que se interpretam os problemas nacionais.

Bolsonaro, numa palavra, percebeu que lhe saem asneiras da boca que só não são mais usadas contra ele por falta de informação e verve de seus competidores.

Por exemplo: no último debate, o da Rede TV, sugeriu colocar um militar para dirigir cada escola.

E ninguém lhe disse que ele era um imbecil, porque presidente da República não “coloca” diretores de escolas municipais e estaduais – que são 99% do total – e ainda que colocasse, não haveria milagre da multiplicação dos quepes que desse conta de colocar um oficial (supondo que não se  vá por cabos e recrutas em tais funções pedagógicas) à testa de cada estabelecimento escolar, pois eles são 33 mil e as escolas, em número de 145 mil.

Se confirmada, claro que a decisão o preserva destes  riscos, mas o expõe a outro: a de ser visto como covar, o inverso da imagem que pretende projetar.

A ver se o ex-capitão bate mesmo em retirada.


TIJOLAÇO

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