Moro condenou Lula e taxa de aprovação do juiz em pesquisa caiu 30 pontos em pouco mais de um ano






De um pico de 69% em maio de 2017, a aprovação ao juiz Sérgio Moro caiu para 37% em junho de 2018.

É o que informa a pesquisa Ipsos, publicada pelo Estadão.

O diário conservador paulistano tem a primazia de acesso aos dados, mas publica os resultados com o viés que lhe interessa.


Desta feita, o Estadão deixou Moro para o último parágrafo, embora tenha registrado a recente queda de aprovação do magistrado (de março até aqui, queda de 44% para 37%).

Convenientemente, o Estadão não contextualiza: a taxa de aprovação de Moro começou a cair depois que ele condenou o ex-presidente Lula, em julho do ano passado.

A estratégia da defesa de Lula, de politizar o caso, deu certo no campo da política — embora o ex-presidente permaneça preso em Curitiba.

Mas, não foi uma politização vazia: a rapidez do julgamento do recurso de Lula no TRF-4, que aumentou a pena do ex-presidente e permitiu a prisão, e a subsequente lentidão do mesmo tribunal, escancararam a politização do próprio Judiciário.

Recentemente, uma tabelinha do ministro Edson Fachin com o próprio TRF-4 adiou qualquer decisão sobre a liberdade de Lula ao menos até o próximo mês de setembro.


Nada disso escapa à opinião pública — e aqui é preciso destacar o sucesso da política de comunicação do PT nas redes sociais, seja através dos mandatos de seus senadores e deputados, seja no Facebook do ex-presidente — além, é óbvio, da penetração da blogosfera de esquerda junto a milhões de brasileiros.

A mesma pesquisa Ipsos demonstrou que Lula tem a menor taxa de desaprovação entre todos os presidenciáveis: 54%, contra 63% de Marina Silva, 64% de Bolsonaro, 65% de Ciro Gomes e 70% de Geraldo Alckmin.

Os números permitem chegar a outra conclusão que o Estadão tenta evitar: o apoio de Alckmin ao golpe que derrubou Dilma Rousseff não trouxe dividendos ao ex-governador paulista. Pelo contrário, ajudou os tucanos a afundarem junto com Michel Temer.
Viomundo