Globo "faz documentário" sobre tinta em prédio, gasta 3 minutos com passeios de barco em Londres mas desconhece atentado a tiros em Curitiba




“Se arremessam tinta, em um prédio, querem fazer documentário sobre como vivem as pessoas que limparam as calçadas do lugar”, ironizou Fausto Rocha no twitter.

Ele se referia à extensiva cobertura que a TV Globo fez em seus telejornais do protesto em que integrantes do MST atiraram tinta vermelha no prédio onde mora a presidenta do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, em Belo Horizonte.

A limpeza da calçada por gente ligada ao MBL e a colocação de flores no local foram destaques na mídia brasileira.

Porém, o telejornal Hoje, da Globo, desconheceu completamente neste sábado o atentado ao acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, onde apoiadores do ex-presidente Lula fazem vigília.

“Para a Rede Globo pessoas de esquerda não são dignas de direitos, no caso do homem empurrado na frente do instituto Lula eles foram entrevistar até a família, Globo prega o genocídio da esquerda ao desumanizar as pessoas justificando ataques e qualquer tipo de violência”, escreveu Rafael Martelo sobre a omissão da Globo, também no twitter.

Duas pessoas ficaram feridas a bala em Curitiba.

O militante que recebeu um tiro no pescoço está internado na UTI.

“Ele estava consciente, sem risco de vida, perdeu bastante sangue, a bala perfurou, mas não ficou alojada. No acampamento estávamos na porta na segurança, um carro passou e voltou atirando”, descreveu testemunha ouvida pelo Brasil de Fato.

O ataque foi registrado em áudio e vídeo (ver acima). Há grande número de disparos.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná emitiu nota dizendo que cápsulas de projéteis de 9 mm foram recolhidos no local.

A mulher que se feriu levemente foi atingida por estilhaços de um tiro que acertou um banheiro público, segundo a nota.

Porém, o Jornal Hoje desconheceu tudo isso: estava preocupado mesmo é com o clima ameno em Londres.

Dedicou mais de 3m30s, tempo imenso para os padrões de TV, a passeios de barco na capital britânica.



Viomundo