Gilmar prestou um grande serviço ao PT: reconheceu que a prisão de Lula é política



Elza Fiúza/Agência Brasil

A reportagem da revista Época é pura especulação.

Traz apenas duas falas atribuíveis, ambas a petistas: do deputado Wadih Damous e do ex-ministro Gilberto Carvalho.




É uma tentativa de confirmar o que o próprio ministro Gilmar Mendes disse no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula: que seu gabinete se transformou num local de peregrinação de petistas.

O texto da revista dos irmãos Marinho atribui isso à decepção do PT com aqueles que indicou à Suprema Corte, especialmente o “advogado do MST”, Edson Fachin, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Talvez com o objetivo de causar intriga, o texto diz que Lula resistiu a Fachin e Fux, posteriormente indicados por Dilma Rousseff.

O ex-presidente teria achado especialmente estranho o lobby descarado de Fux, que chegou a subir no palanque de Sérgio Cabral em sua cidade de origem, o Rio de Janeiro.

Da parte dos petistas, a admiração por Mendes pode derivar do fato de que ele é assumidamente linha auxiliar do PSDB.

Indicado por Fernando Henrique Cardoso, esteve lá em momentos chaves do antipetismo: por exemplo, quando denunciou supostas pressões de Lula para não julgar o mensalão em ano eleitoral e quando em decisão monocrática vetou a indicação de Lula para o ministério de Dilma, visto como o momento de não retorno no processo de impeachment arquitetado pelos tucanos.




O amigo de ocasião, diz o texto, tornou-se aliado do PT por causa da Lava Jato, que pegou Lula hoje mas pode chegar a Aécio Neves, quem sabe, um dia.

Além de contar com o voto de Gilmar contra a prisão depois de esgotados os recursos de segunda instância — um tema que a Corte vai eventualmente enfrentar –, o PT pode agradecer Mendes por se tornar o mais graduado integrante da Justiça a admitir que a prisão de Lula é política.

Ele o fez ao admitir que o ex-presidente só tem chance de sair da cadeia quando desistir da candidatura ao Planalto.

Diz o texto da Época:

Nas conversas, Mendes tem dito que as possibilidades de o ex-presidente deixar a cadeia só vão melhorar quando ele se declarar fora do páreo presidencial. Com Lula fora da eleição, prevê Mendes, é possível que a pena do ex-presidente, condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e um mês de detenção por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, seja diminuída pelo Supremo. Mendes tem alardeado sua tese de que o Supremo deve rever a pena por lavagem de dinheiro aplicada a Lula, crime que, na visão de alguns juristas, não estaria caracterizado no caso do tríplex. “É preciso discutir se os dois crimes pelos quais ele foi condenado são realmente dois crimes”, disse o ministro, na terça-feira dia 24.

O ex-presidente Lula parece não contar com Gilmar como um aliado capaz de resolver o problema nos bastidores do STF.

Está investindo tudo nas eleições de 2018.

Uma boa bancada no Congresso e a capacidade de influir no resultado final seriam suficientes para garantir a sobrevivência do PT e, eventualmente, tirar Lula da cadeia. Com Gilmar, com tudo.

Viomundo