Governo vê resultado como apoio a reformas e oposição aposta que presidente cai com a próxima denúncia.


Marcella Fernandes
Repórter de política, HuffPost Brasil

ADRIANO MACHADO / REUTERS Câmara dos Deputados rejeitou denúncia contra presidente Michel Temer.


O fim do primeiro capítulo da mais grave crise do governo de Michel Temer não é sinônimo de estabilidade. Apesar de a Câmara dos Deputados ter rejeitado a denúncia contra o presidente nesta quarta-feira (2), a oposição aposta que o resultado será diferente quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar a segunda denúncia, prevista ainda para este mês.


"Temer com 220 votos está salvo e perdeu. Nós (oposição), com 200 votos, perdemos, mas ganhamos", afirmou a jornalistas o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). A interpretação de oposicionistas é que alcançar um número próximo ao do governo aumenta a pressão para virar o resultado em uma próxima decisão da Câmara.

Vem denúncia aí. Vamos passar por todo esse processo e os deputados vão começar a pensar se vale passar por todo esse desgaste para poder salvar da investigação a pele do presidente Temer.

Na avaliação da oposição, o fato de a votação ter sido nominal e à noite aumenta a exposição dos protetores de Temer e incentiva a cobrança por parte dos eleitores.


Foram 263 votos a favor do parecer que barra as investigações, 227 votos contra o texto, duas abstenções e 19 ausências. Para o governo, passar de 257 apoios era crucial, uma vez que esse é o número necessário para aprovar um projeto de lei. O placar, entretanto, demonstra que ainda falta força para votar matérias com quórum maior, como emendas à Constituição, que precisam de 308 votos.


Até o momento final da votação nesta quarta, o governo negociou a liberação de cargos e de emendas parlamentares com deputados. As conversas aconteceram até mesmo no plenário da Câmara, com ministros que foram exonerados para voltarem aos cargos de deputados federais.

Para governistas, a primeira acusação feita por Janot, de corrupção, era a mais grave e as próximas também serão derrotadas. "Se vier (uma nova denúncia), será derrotada de novo. O Michel está começando a melhorar o Brasil", afirmou o deputado Darcísio Perondi(PMDB-RS).

A crise provocada pela delação da JBS dividiu o PSDB e ampliou a dependência do governo dos partidos do chamado centrão, como PP, PR e PSD, conhecidos pela ambição por espaço na Esplanada.

Em conversa com jornalistas, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) afirmou que o governo respeita votos da base a favor da aceitação da denúncia. A postura de não retaliar aliados infiéis mira nas próximas votações de interesse do Planalto.

Página virada


Após o resultado desta quarta, o governo tem como foco pautas da área econômica, como a reforma da Previdência, simplificação tributária e a aprovação da medida provisória que estipulou o chamado "refis rural", um agrado à bancada ruralista feito às vésperas da votação que salvou o presidente.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já tem conversado com parlamentares a fim de conseguir o apoio para votações. Entre os aliados, antes mesmo do resultado, o discurso era de "página virada".
Esse resultado mostra a união da base do governo, com grande possibilidade para que a gente aprovar uma série de medidas para reduzir o desemprego no país, como a reforma da Previdência e outras reformas necessárias.Deputado Beto Mansur (PRB-SP)

Em pronunciamento após a rejeição da denúncia, o presidente afirmou que seguirá com as reformas que julga necessárias para modernizar e melhorar o País e disse que o objetivo é "colocar o Brasil nos trilhos".
Estamos retirando o Brasil da mais grave crise econômica da nossa história. É urgente colocar o País nos trilhos do crescimento, da geração de empregos, da modernização e da justiça social. Não parei um minuto desde 12 de maio de 2016, quando assumi o governo. Não vou descansar até 31 de dezembro de 2018.

Apenas 5% dos brasileiros considera boa ou ótima a gestão do peemedebista, de acordo com pesquisa Ibope divulgada neste mês. Segundou outra sondagem do instituto, 87% defendem a continuidade das investigações contra o presidente.

Além das pautas econômicas, o foco do Planalto está na aprovação da reforma política, cujos pontos principais são a criação de um fundo público para financiar campanhas eleitorais e a adoção do distritão. De acordo com esse modelo, ao contrário do voto proporcional, não há quociente eleitoral e são eleitos os deputados com mais votos.


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