Lula: 'Vocês sabem o quanto sou atacado todos os dias. Quando a gente tem razão, nada nos deixa nervosos'


São Paulo – Com uma rápida referência à votação da véspera na Câmara, que preservou Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou ontem (3) à noite em "volta" ao poder, durante evento de movimentos de moradia. "Eu quero que eles saibam que nós vamos voltar", afirmou em uma superlotada quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na região central da cidade. "Quando eu digo 'nós', não é o Lula", acrescentou, "é o povo trabalhador deste país."

Ele disse que no próximo dia 17 inicia uma caravana que, durante 20 dias, percorrerá todos os estados da região Nordeste, começando pela Bahia e terminando no Maranhão. Mais adiante, percorrerá Sul, Centro-Oeste e a Amazônia. "Eu vou conversar com o nosso povo, com os trabalhadores, a dona de casa, com o pequeno empresário", disse o ex-presidente, que criticou a política fiscal "muito dura" do atual governo em relação a gastos sociais, mas o que não impediu, porém, de liberar recursos a deputados em busca de apoio a Temer.

Também fez referência a novo depoimento que deverá prestar ao juiz federal Sérgio Moro, em 13 de setembro, em Curitiba. "Vocês sabem o quanto eu sou atacado todos os dias. Quando a gente tem razão, nada nos deixa nervosos." E reafirmou que não há razões para sua condenação, pedindo que digam "que o Lula um dia pediu 10 centavos" a alguém. "Se quiserem me condenar, achem uma prova."

O ex-presidente participou da abertura do 14º Encontro de Moradia Popular, promovido pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e pela União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM) – que está completando 30 anos. Com aproximadamente mil delegados de 20 estados, o evento termina no domingo, com aprovação de uma agenda de lutas e definição da nova coordenação nacional. Também estavam na quadra, entre outros, o presidente estadual do PT, Luiz Marinho, o líder do partido na Câmara, Carlos Zarattini (SP), o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o coordenador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim.

Lula destacou o histórico déficit habitacional do país e afirmou que o objetivo do programa Minha Casa, Minha Vida, criado em seu governo, "era tratar o povo humilde com mais respeito e cumprir a Constituição". Isso significa, acrescentou, "que cabe ao Estado subsidiar aqueles que não têm condição de comprar uma casa". E criticou a atual política: segundo ele, o governo está "acabando com a possibilidade de o povo mais pobre ter acesso à casa".

Um dos coordenadores estaduais da UNMP, José de Abraão lembrou que o movimento em São Paulo surgiu a partir da Igreja e cresceu apesar das adversidades. "Tivemos de quebrar muitas barreiras, enfrentamos governos de extrema-direita, tomamos muita porrada da polícia, fomos criminalizados."

Marcos Cosmo, da coordenação nacional, destacou a importância dos movimentos para o governo Lula. "Temos clareza que o seu mandato foi construído com todas essas forças. Não vamos permitir que nenhum direito seja jogado na lata do lixo", afirmou, acrescentando que os "traidores" responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff voltaram a atuar na quarta-feira, desta vez em defesa de Temer. Cosmo disse ainda que Lula pode contar com todo apoio neste "momento difícil".



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