Ao menos um morto e vários feridos em um atropelamento nos distúrbios em Charlottesville, após supremacistas brancos se chocarem com contramanifestantes


PABLO DE LLANO
Miami

Supremacistas brancos entram em choque con contraprotestantes em Charlottesville, Virginia. JOSHUA ROBERTS REUTERS

Uma marcha de supremacistas brancos convocada para este sábado em Charlottesville (45.000 habitantes, Estado da Virgínia) disparou a tensão nesta cidade sulista dos Estados Unidos, provocando enfrentamentos com contramanifestantes, nos quais várias pessoas ficaram feridas e houve um número indeterminado de detidos. A prefeitura tinha declarado o ato ilegal antes de seu início. O governo estadual ativou o estado de emergência e deslocou um forte contingente de unidades antidistúrbios.

Sob o lema Unir a direita, centenas de membros da ultradireita racista norte-americana se reuniram para protestar contra o plano de retirada de uma estátua em homenagem a Robert E. Lee (1807-1870), general do Exército Confederado durante a Guerra Civil Americana, que os extremistas de direita reivindicam como um símbolo histórico do poder branco sulista, e que lutou sem êxito contra os Estados do Norte para manter o sistema de escravidão dos negros. O grupo antirracista Southern Poverty Law Center denunciou que o ato representa “o maior encontro de ódio em décadas”. Os radicais racistas, incluindo elementos do velho grupo de extrema direita Ku Klux Klan, portavam bandeiras confederadas, entoavam slogans nazistas e se armaram de capacetes, escudos e cassetetes. Acredita-se até que tenham utilizado gás pimenta e lacrimogêneo contra seus oponentes. Antes do meio-dia já se havia desencadeado a situação de violência, concentrada no campus da Universidade da Virgínia. Entre os contramanifestantes se destacava o agrupamento antirracista Black Lives Matter (as vidas dos negros importam). Os protestos eram de uma violência desenfreada.

A situação começou a esquentar na sexta-feira à noite quando as primeiras centenas de manifestantes supremacistas chegados à cidade se reuniram no campus da Universidade da Virgínia, ao lado de uma estátua de Thomas Jefferson, um dos pais fundadores dos EUA, para lançar os primeiros cânticos de protesto, com proclamas como “as vidas dos brancos importam” e “vocês não vão nos substituir”, desfilando à noite por Charlottesville com tochas acesas.

Um primeiro grupo de contramanifestantes chegou para repudiar a concentração e houve momentos de tensão entre os dois lados. A polícia teve de intervir e pelo menos uma pessoa saiu algemada do local.

A polícia estadual da Virgínia se preparou para os acontecimentos deste sábado com mais de 1000 agentes. O Governo do Estado pediu aos cidadãos que não se aproximassem do ponto mais quente, o Emancipation Park. O prefeito de Charlottesville, Mike Signer, condenou o ato como “um desfile covarde de ódio e intolerância”. Há um mês a cidade viveu outra jornada semelhante com uma manifestação da Ku Klux Klan motivada também por sua oposição ao projeto de retirada da estátua do general Lee, que terminou com 23 presos.

O movimento supremacista branco, formado por uma constelação de distintos grupúsculos cuja presença é mais significativa em Estados sulistas como a Virgínia, está passando por um momento de retomada de atividade e visibilidade nos últimos tempos em meio ao calor da controvérsia em torno das medidas de raiz xenófoba e nacionalista do presidente dos EUA, o republicano Donald Trump.
Nem o mandatário, de férias em seu clube de golfe de Nova Jersey, nem nenhum alto funcionário de seu gabinete se pronunciou até o momento sobre os eventos. A primeira reação da Casa Branca foi, surpreendentemente, a da primeira-dama, Melania Trump, que escreveu no Twitter, pouco depois dos distúrbios: “Nosso país promove a liberdade de expressão, mas nos comuniquemos sem ódio em nossos corações. Nada de bom vem da violência. #Charlottesville".

EL PAÍS Brasil
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Ronaldo

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