EFE 
Rocío Otoya, Sydney (Austrália)

Imagem cedida pela Universidade de Macquaire que mostra um dente de um ser humano atual (acima, à esquerda) com seu correspondente escaneado (abaixo, à esquerda) comparados com o dente de um orangotango (direita). EFE


Uma nova análise de velhos fósseis situou a chegada dos humanos modernos procedentes da África à ilha indonésia de Sumatra há 63.000 anos, 20.000 anos antes do que se acreditava, informaram nesta quinta-feira fontes acadêmicas.

A descoberta confirmaria as suspeitas da comunidade científica de que o Sudeste da Ásia era povoado há 45.000 anos, uma possibilidade apontada pela presença humana anterior a essa data na China e na Austrália, mas que até agora não se tinha provas.

Estas evidências foram obtidas através da análise de fósseis de dois dentes achados há mais de um século na caverna Lida Ajer, na planície de Padang, costa oeste de Sumatra, feitas novamente por arqueólogos da Universidade Macquarie da Austrália.

"Antes se tinha evidência de humanos modernos há 45.000 anos em Bornéu e de 46.000 anos no Laos e com isso saltamos para os 63.000 ou 73.000 anos de antiguidade", disse à Agência Efe a diretora do estudo, Kira Westaway.

O sítio de Lida Ajer já tinha sido escavado pelo paleoantropólogo holandês Eugene Dubois, conhecido também por descobrir o chamado "Homem de Java", e que visitou várias covas de Sumatra no final do século XIX onde encontrou os dentes, um molar e um incisivo.

"Ninguém dedicou muito tempo para determinar o significado (do achado dos dentes)", disse Gilbert Price, outro especialista envolvido no estudo, da Universidade de Queensland, em um comunicado da instituição.

Mais de um século depois, a equipe liderada por Westaway foi à caverna em Sumatra onde foram encontrados os dentes, uma das tarefas mais difíceis do projeto, que só contava com cópias das anotações e um mapa que Dubois fez durante sua expedição.

Para o estudo, publicado na revista "Nature", foram combinadas várias técnicas nos sedimentos ao redor dos fósseis, nas camadas superiores dos depósitos de rocha da caverna e nos dentes de mamíferos associados.

Os resultados indicaram que os fósseis tinham uma antiguidade entre 63.000 e 73.000 anos, segundo o comunicado da Universidade de Queensland.

"Conseguiram datar os dentes e assim confirmaram que pertencem a humanos modernos, algo que foi importante para entender a evolução humana", disse Westaway.

A descoberta confirma que a região do Sudeste Asiático é essencial para entender a dispersão humana a partir da África em direção à Austrália, mas também confirma que os humanos modernos conseguiram se adaptar às florestas tropicais.

Os especialistas destacam que as condições na região eram muitos difíceis para espécies como o Homo Sapiens, adaptados a locais de pradarias abertas.

"As florestas tropicais são lugares difíceis para se viver. Parece lindo e tem água, mas na realidade, se está no chão e a comida, no alto das árvores, muito longe dele", explicou Westaway.

"Isto sugere que os humanos estavam mais avançados em termos de inteligência, planejamento e adaptação tecnológica", acrescentou Price.

Estas habilidades e técnicas sofisticadas de caça são as que tinham os humanos que povoaram Bornéu há 45.000 anos, por isso que se acreditava que os primeiros humanos da região viveram mais perto da costa, onde havia mais recursos.

"Mas nunca se pensou que esses humanos, que deixaram primeiro a África e que estavam adaptados às savanas, desenvolveriam essas habilidades de forma tão rápida", especificou Westaway.

A geocronóloga e cientista assegurou que espera continuar buscando as novas cavernas e lugares explorados por Dubois no final do século XIX.


Agencia EFE
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