Ex-presidente anunciou que tentará ser candidato à presidência em 2018: "se alguém quer me tirar do jogo, podem saber que eu tô no jogo".



Luiza Belloni
Repórter de Notícias no HuffPost Brasil


AFP/GETTY IMAGES "Se tiver uma prova contra mim, diga, mande pra Suprema Corte, eu preciso. Eu ficaria mais sereno se fosse condenado por uma prova", disse Lula em coletiva.

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Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvadesafiou seus "inimigos" políticos a mostrarem uma prova contra ele sobre o caso do triplex do Guarujá e afirmou que "só o povo pode decretar seu fim".

A coletiva aconteceu um dia depois do juiz Sérgio Moro de condená-lo a 9 anos e seis meses de prisão. A decisão cabe recurso.

Lula iniciou sua fala brincando sobre o otimismo de Moro ao divulgar sua condenação: "Moto tem para comigo o otimismo que nem eu tenho: em 19 anos sem poder exercer nenhum cargo político, ele está permitindo que eu possa ser candidato em 2036", disse. Emendou alegando que não teve tempo de analisar toda a condenação, pois assistiu à vitória do Corinthians na noite de ontem.

De volta ao assunto central, Lula baseou seu discurso na perseguição política que, segundo ele, já vem acontecendo há anos e sua prisão seria o ponto final desta do "plano". "Meus acusadores sabem que eu não roubei, que não fui corrompido, nem obstrui a Justiça. Tornaram-se prisioneiros das medidas que criaram. Estão condenados a me condenar, pois se não me prenderem, serão eles que vão perder."

Segundo o ex-presidente, juízes e promotores não se importavam com a "verdade". "Em meus depoimentos, era visível que o que menos importava era o que você falava. Eles já estavam com o processo pronto. Com a concepção da condenação pronta", disse, acrescentando que a condenação de Moro tem forte viés político:

"Se Lula pudesse ser candidato, o golpe não fechava. Não podia fechar, a sentença de ontem tem componente político muito forte. (...) Tudo que tenho lido e ouvido é que o Moro passou escrevendo 60 páginas se justificando da decisão."

Ele acrescenta que "há uma tentativa" da imprensa e partidos da direita de tirarem ele do jogo político e que as instituições não podem "tomar decisões políticas."

Lula também fez um apelo à população e aos que ele chamou de inimigos: apresentar uma prova concreta contra ele. Segundo ele, isso o deixaria mais tranquilo, caso for levado à prisão. "Toda vez que vou prestar depoimento, eu digo: só eu tenho interesse na verdade aqui."

"Se tiver uma prova contra mim, diga, mande pra Suprema Corte, eu preciso. Eu ficaria mais sereno se fosse condenado por uma prova."

Também afirmou que, apesar disso, ele acredita na Justiça e que vai recorrer da decisão de Moro.
'Postulante à candidatura à presidência'

Lula aproveitou a coletiva para anunciar que tentará ser candidato do PT à presidência em 2018 e acrescentou: "se alguém quer me tirar do jogo, podem saber que eu tô no jogo".

Ele ainda defendeu eleições diretas e afirmou que o povo brasileiro deveria ser responsável pelos acertos e erros. "Agora preciso de três brigas: apoio do PT, jurídica e brigas nas ruas para convencer a sociedade."

O ex-presidente argumentou que o governo destruiu os direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista, aprovada no Senado nesta terça-feira, e que é preciso um governo que coloque o pobre novamente no orçamento da União.

"Peço que os senhores da casa grande permitam que alguém da senzala faça o que vocês não tem competência de fazer", disse. "A gente faz o País voltar a crescer. Voltar a ter o otimismo que tinha."

Lula terminou a coletiva dizendo que aos 71 anos está disposto a "brigar do mesmo jeito que tinha aos 30" e manda recado: "quem acha que é o fim do Lula, vai quebrar a cara. Só quem tem direito de decretar o meu fim é o povo brasileiro."

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