A fala do presidente mundial da empresa BHGE, Lorenzo Simonelli, corporação saída da fusão entre as americanas Baker Hughes e o segmento de óleo e gás da GE disse textualmente que: "o Brasil será um dos principais mercados da recém-criada BHGE. A companhia é a maior fornecedorra de bens e serviços para campos petrolíferos do Brasil".

E o mais importante: "O país teve papel importante no negócio fechado entre as duas gigantes mundiais prestadoras de serviço para o setor petrolífero. Somos a maior player no Brasil e queremos manter isso" disse o CEO, em entrevista publicada hoje (04/07/17) no Valor, P B1.

O blog já comentou aqui (veja nota detalhada aqui em 21 mar. 2107) sobre o número de fusões e incorporações de empresa no setor de petróleo que ultrapassa 3 mil desde o início da crise de preço em 2015 e também comentei que hoje, por conta do avanço e custos de tecnologia e serviços na exploração de petróleo, há casos em que as para-petroleiras (corporações que atuam fornecendo bens como máquinas, equipamentos e materiais, tecnologia e serviços ao setor de petróleo) faturam mais até do que as próprias petroleiras.


Porém, mais que isto, vale lembrar que o motivo principal apresentado pelo presidente mundial da BHGE para a fusão das corporações serem os contratos no Brasil, foi também, a razão maior, citada aos quatros ventos, pelo presidente mundial da Shel, Ben Van Beerden, ao citar os ativos (participação em campos de petróleo no país) para justificar a compra da petroleira inglesa BG, em 2015/2016 por US$ 60 bilhões de dólares.

O presidente mundial da Shell disse mais: "O Brasil será um país-chave na nossa estratégia", afirmou. "Está seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a produção em águas profundas, é o maior... a competitividade do pré-sal, mesmo em um cenário de petróleo barato. "O break even (preço de equilíbrio dos projetos) é muito favorável, mesmo nessa faixa de preços. E, se os preços caem, os custos também caem".

Sobre o assunto e várias declarações veja postagem no blog aqui em 16 fev. 2016 e no Valor aqui, aqui e aqui em 2015.

As duas declarações confluem na mesma direção: o Brasil, o pré-sal e a Petrobras são alvos das maiores petrolerias e para-petroleiras do mundo.

Não são falas de qualquer pessoa. Não se tratam de analistas, pesquisadores ou consultores. São os mais altos dirigentes de corporações que controlam o negócio de petróleo no mundo. A mercadoria especial que vem lubrificando o capitalismo no último século e segue sendo motivo de cobiça, de petroestratégias e do imperialismo do petróleo como diz o professor alemão Altvater.

Na ocasião eu havia dito que o descrédito vendido aos quatro ventos da Petrobras tinha endereço certo: o seu desmonte. Disse ainda que neste caso, quem desdenhava queria vender e entregar a preço vil. A partir vimos o golpe, o fatiamento das subsidiárias da holding Petrobras, com o desmonte e a venda dela em partes.

O debate pode se dar em diversos campos, mas os fatos são evidentes por si só. As falas são simbólicas como já nos ensinava Bourdieur.

O governo Temer com a nomeação do Parente entrou entregando tudo isto, alegando que este era o melhor caminho, num argumento que tenta convencer os incautos, que as grandes corporações de petróleo do mundo, ajudada pelos governos dos seus Estados-nações, estão assim fazendo maus negócios acessando à maior fronteira de exploração de petróleo descoberta na última década: o pré-sal.



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