Em 2016, o serviço da dívida levou 44% do Orçamento federal. Esse ano, estima-se que levará 49% de um orçamento que é de R$ 3,5 trilhões(repetindo: trilhões). Isso significa simplesmente R$ 1,72 trilhões, ou se preferir, 1722 bilhões de reais.

A Previdência, alçada a vilã nacional, levará somente 18% do orçamento (R$ 650,5 bilhões). O resto se divide entre repasses para estados e municípios e os famosos gastos com pessoal, alvo do ressentimento permanente do coxinha, que são a parte mais transparente do Orçamento e não chegam a 9% dele (R$ 306,86 bilhões, nisso incluído inativos e pensionistas da União).

Também inclui ridículos R$ 35,2 bilhões (repetindo: bilhões) de custeio (passagens, materiais, energia, diárias, etc.). Se você desconsiderar os supostos desvios de licitação de caneta e papel chamex, podemos dizer que o cidadão médio acredita, movido pela Globo e congêneres, que a “roubalheira” e a “corrupissaum” que “destrói o país” se dá nas licitações de obras que são parte da conta de investimentos.

É a narrativa da novela global “Lava-Jato”.

Mas a conta de investimentos corresponde esse ano a menos de 3% do orçamento. Isso mesmo, o Estado está investindo menos de 3% do orçamento. E o Brasil ainda quer crescer. Se todo o investimento do país fosse em obras e elas tivessem todas roubo padrão-Quércia, os famosos 10%, a “corrupissaum” levaria menos de 0,3% de nosso orçamento.

É com menos de 0,3% de nossos problemas que se ocupa 99,7% do tempo de nossos telejornais (o percentual dos telejornais é, obviamente, o único metafórico aqui).

Enquanto isso os juros e amortizações (R$ 776 bi esse ano, 22% do orçamento), a sonegação (estimada em R$ 550 bilhões esse ano) e as isenções tributárias (como as do Estado do Rio) destroem o Brasil. Destroem sua vida.

Quem vive de juros públicos acima da capacidade de lucro dos que produzem, vive da doença, má educação e insegurança da população. Eles não bebem champagne, bebem a morte, a miséria e a infelicidade de seus semelhantes.

É somente natural que esses canalhas só queiram falar nos que transgridem a lei, e não na lei injusta que alimenta seu parasitismo. A lei para eles tem que ser cumprida não porque seja moral, mas para que tudo permaneça imoral como está.

Afinal de contas, esses 0,3% também deveriam estar indo para o bolso deles na conta de juros.

Ou continuam indo?

PS “antecipado”: Alguns economistas ligados a determinados partidos de esquerda atacam os “gráficos pizza” da Auditoria Cidadã da Dívida, que não foram usados aqui, porque consideram que eles mais confundem a população que esclarecem, ao misturar no orçamento juros, amortizações e rolagem. Isso “satanizaria” a dívida pública que eles consideram que pode crescer de forma ilimitada. Acontece que os referidos gráficos são basicamente reproduções das contas oficiais do orçamento da União divulgadas pelo governo, que apresentam conceitos obscuros de juros, amortizações, mascaram atualizações monetárias e oferecem enormes contas sem discriminação sob o guarda-chuva de “outros”. Para um esclarecimento da Auditoria Cidadã da Dívida sobre essas críticas, clique aqui.

LINKS POR ORDEM DE CITAÇÃO:

Dados do orçamento de 2016: http://www8d.senado.gov.br/dwweb/abreDoc.html?docId=1916103 ;Dados sobre a sonegação: http://www.quantocustaobrasil.com.br/;Dados sobre o custeio em 2016: http://www.brasil.gov.br/governo/2017/02/despesas-de-custeio-do-governo-federal-caem-a-nivel-recorde-em-2016



TIJOLAÇO
Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis cliente. Boa leitura e boas compras.

Poste aqui o seu comentário:

0 comments:

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;