“Achar que se afastar deste governo e contribuir para a sua queda vai salvar o PSDB nas eleições é subestimar a inteligência do povo brasileiro”, disse ainda o ministro, que defende a permanência do PSDB no governo Temer.


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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Para o ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores) o seu partido, o PSDB, precisa “baixar a bola” e deixar de pensar que abandonar o barco vá salvá-lo nas próximas eleições.

“Achar que se afastar deste governo e contribuir para a sua queda vai salvar o PSDB nas eleições é subestimar a inteligência do povo brasileiro. O fato de sair do governo não vai fazer com que o sujeito emirja da pia batismal vestido de branco, ‘não tenho nada a ver com essa situação’. Temos, sim [bate a mão na mesa]. Nós criamos essa situação”, disse em entrevista à Folha.

O PSDB volta do recesso nesta terça-feira (1º) dividido sobre a decisão de romper com o governo Temer ou continuar na base de sustentação e manter os quatro ministérios que ocupa -Cidades, Relações Exteriores, Direitos Humanos e Secretaria de Governo.

Para o ministro, o PSDB precisa reduzir a temperatura de seus conflitos internos para decidir quem será o próximo presidente da sigla -cargo ocupado interinamente por Tasso Jereissati (CE) desde maio, quando Aécio Neves (MG) foi afastado ao ser gravado pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F, pedindo R$ 2 milhões.

Nunes reconhece que Aécio “foi muito atingido”, mas pondera que “injustamente”. “Acho que afetou muito. O presidente, evidentemente, é a cabeça do partido. Mas não foi só o Aécio que foi atingido por essas delações -e atingido injustamente. Muitos outros o foram. Inclusive eu”, diz o chanceler, também mencionado em delação da Odebrecht.

Ao sair em defesa do governo, o tucano classificou como “milagre” que Temer governe no atual sistema político, com troca de benesses por votos.

“É um milagre que o presidente Temer esteja conseguindo fazer um governo que enfrente os problemas do país com eficácia tendo que negociar, que abrir mão de objetivos máximos”, afirmou.

2018

Para as eleições presidenciais de 2018, Nunes defendeu que os tucanos se alinhem a um “campo reformista”, identificado com o atual governo, para se opor a uma candidatura oposicionista.

Ele também minimizou as pré-candidaturas de Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede).

Para ele, Jair Bolsonaro “não é uma opção real” da disputa presidencial, e tem uma “pauta esquálida”.

“O que diz o Bolsonaro para a sociedade brasileira? É a apologia do regime militar, à homofobia, ao antifeminismo. Não se sustenta. Pode fazer bonito na eleição, mas não é uma opção real colocada na mesa, assim como Marina.”



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