Famoso por documentários de viés político, cineasta americano estreia peça em Nova York em que usa humor para vender sua causa ao público: tirar o magnata republicano da Casa Branca.


"Eu não aceito viver num país onde Donald Trump é presidente", afirmou Michael Moore no palco de um lotado Belasco Theater, na Broadway. "E eu não vou deixar os Estados Unidos", completou. A peça logo ganhou tom de campanha eleitoral.

A missão de Moore não poderia ser mais clara: o premiado cineasta e escritor planeja usar sua estreia na Broadway para tirar Trump da Casa Branca. Ele acredita que humoristas "podem acabar com ele [Trump] usando humor, comédia e o ridículo – simplesmente porque sua pele terrivelmente fina simplesmente não consegue aguentar", como disse Moore em junho.

O primeiro estágio desta missão é o monólogo "The terms of my surrender" (Os termos da minha rendição, em tradução literal), que estreou na sexta-feira (28/07) em Nova York. A peça vem no momento em que ele também trabalha no documentário anti-Trump chamado Fahrenheit 11/09 – uma referência a 9 de novembro, o dia seguinte à eleição de Trump.

Um ativista veterano


Esta não é a primeira vez que Moore, de 63 anos, usa a arte para criticar sua amada pátria. Ele é conhecido por documentários com viés político como Tiros em Columbine e Fahrenheit 9/11, que, respectivamente, atacaram o lobby da indústria de armas e o governo Bush na esteira da Guerra do Iraque.

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Mas a vitória eleitoral de Trump deu entusiasmo a Moore – junto com muitos de seus colegas da indústria do entretenimento – para contra-atacar com criatividade. E uma coisa que distingue Moore de muitos de seus pares é o fato de ele ser um dos poucos a prever a ascensão do magnata à presidência – e alertar para isso.

O cenário da peça é irônico, já que Moore fica de pé em frente a uma enorme bandeira dos EUA e fala sobre sua vida como ativista. No início, ele revela que sua primeira ação antiautoritária foi colocada em prática quando o menino tímido, de 16 anos, na década de 1970, falou contra discriminação racial.

Desde então, Moore manteve a crença de que cada pessoa pode e deve fazer sua parte para mudar o status quo. Na peça, ele fala entusiasmadamente sobre um bibliotecário de Nova Jersey que usou cartas para forçar a editora americana HarperCollins a publicar o controverso livro de Moore intitulado Stupid White Man – Uma nação de idiotas. A publicação virou seu maior sucesso literário.

"Ninguém vai fazer isso por você", disse Moore sobre a necessidade de fazer ativismo político. "Nós temos que fazer isso."

Outras vozes se erguem


A mensagem anti-Trump na Broadway não é limitada a Moore. Uma produção de Júlio César, de Shakespeare, que estreou em junho, causou grande controvérsia entre os conservadores por o personagem principal se assemelhar fortemente ao presidente Trump.

Em consonância com a versão original, o César-parecido-com-Trump é assassinado, o que fez com que protestos interrompessem as apresentações ao ar livre. O diretor Oskar Eustis também recebeu ameaças de morte.

Além disso, uma adaptação do romance distópico 1984, que tem conexões fortes com a era Trump, vem sendo muito popular entre frequentadores de teatros e está sendo apresentado em frente ao Belasco Theater.

Piadas sobre seu próprio ativismo


Em contraste com essas produções mais pesadas, a primeira peça de Moore na Broadway emprega um formato divertido. As piadas sobre seu próprio ativismo servem mais como uma história para se sentir bem do que com um plano de ação concreto.

Quando Moore contou a história do bibliotecário ativista, por exemplo, um figurante no teatro pediu ao cineasta que ele se candidatasse à presidência. Por sua vez, o palco do teatro foi transformado em uma campanha eleitoral simulada para a candidatura de Moore em 2020. No final do show, o cineasta se empenha em uma performance de dança com dois policiais se despindo.

Após a peça, alguém do público pergunta se Moore poderia criar uma lista de possíveis ações anti-Trump. "Boa ideia", respondeu Moore antes de dar mais autógrafos.

"Eu quero que as pessoas se sintam tocadas", afirmou o cineasta ao jornal New York Times às vésperas da estreia. O aplauso estrondoso no final da pré-estreia indica que ele conseguiu – mesmo que a aclamação não possa ser ouvida na Casa Branca.

["The terms of my surrender" será apresentado no Belasco Theater, em Nova York, até o dia 22 de outubro. A estreia oficial é em 10 de agosto.]

DW
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Ronaldo

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