por Conceição Lemes

Beatriz Cerqueira é professora e coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).

Seguramente, uma das importantes vozes no Brasil contra o antidemocrático e obscurantista projeto “Escola Sem Partido” – a Lei da Mordaça.

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) é um fervoroso defensor.

Em 7 de julho, os dois participaram de audiência pública sobre o tema na Câmara Municipalde Além Paraíba, sul de Minas.

O debate prometia ser duro. Machismo e misoginia são recorrentes nas propostas e posturas do vereador. Basta percorrer a sua página no Facebook.

No começo deste ano, ele atacou de polícia política e invadiu de forma ilegal escolas públicas da cidade de São Paulo para “fiscalizar” os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, sob o pretexto de estar investigando “doutrinação ideológica”.

Em plenário, a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) criticou-o por patrulhamento, censura, assédio.

Em 5 de abril, representou contra ele no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Segundo denúncias de professores e funcionários a Samia e que constam na representação,Holiday estaria


“intimidando professores e funcionários, exigindo acesso aos planos de aula, invadindo salas, fotografando conteúdos abertos em monitores de computador e coagindo profissionais da educação no exercício de sua atividade”.

Dois dias depois, madrugada de 7 de abril, o número do celular Samia e o de Isa Pena, outra vereadora do PSOL, estavam circulando abertamente na rede.

Acusado pela divulgação dos telefones, negou, como habitualmente faz.

Independentemente da negativa, ambas passaram a receber ofensas, intimidações e ameaças de seguidores do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual Holiday é coordenador.

O MBL é um grupo de direita, fascista. A logomarca logo dele estava em um meme que tinha os fones das vereadoras, informando que eram contra o projeto Escola Sem Partido.

O vereador vive criando factoides para “causar”.

Dois meses antes, o seu alvo era o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), mas acabou sendo a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP), que, em nota, relatou:


Hoje, dia 10 de fevereiro, enquanto fazíamos uma reunião com o Senador Lindbergh Farias, assessores do Vereador Fernando Holiday invadiram a sala, munidos de celulares e câmeras para gravar uma reunião particular do meu mandato com a presença do Senador, fazendo provocações chulas e agredindo verbalmente nossos assessores.

A intenção final era escrachar o Senador Lindbergh, por isso o levamos em grupo até o seu carro para que ele pudesse sair em segurança.


Não satisfeitos, os mesmos assessores de Holiday, horas depois, ligaram para a GCM da Câmara Municipal chamando-os para o 6º andar avisando que lá haveria uma “ocorrência”

Então, eles foram até o 6º andar e invadiram por três vezes uma reunião particular do mandato que estava ocorrendo na sala da Liderança do PT a portas fechadas, eles abriram a porta e começaram a gravar a reunião e agredir verbalmente nossos assessores com provocações.

(…)

Desde então, Holiday ataca-a sistematicamente, distorcendo fatos, caluniando, desqualificando com adjetivos pejorativos.

Negro, ele quer revogar na cidade o Dia Nacional da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro) e as cotas raciais nos concursos públicos municipais.

Eleito vereador em cima do discurso contra a corrupção, Holiday usou caixa 2, em 2016, para pagar cabos eleitorais que trabalharam com panfletagem na reta final da disputa, denunciou o Buzzfeed.

Ao defender propostas reacionárias, é agressivo, grosseiro, metido a valentão.

Porém, na hora de um debate sério, aflora a sua pouca capacidade de aprofundar as ideias. Ou, então, ele afina.

Foi o que se viu em Além Paraíba. Um Holiday apagado, sem conteúdo, repisando sofismas e chavões. Discurso pronto, tal qual matéria de jornal de sexta-feira santa dizendo que não vai faltar peixe.

Cadê a valentice exibida contra os professores em aula?

Três fatores podem ter contribuído:

1) Ele costuma “causar” quando está com sua tropa, protegido. Lá, estava sozinho e a claque era pequena.

2) A calça justa com prefeito de Além Paraíba, Miguel Belmiro de Souza Júnior, também do DEM.

Miguel Belmiro é professor de Educação Física e posicionou-se contra o Escola Sem Partido. Disse mais:


“Como professor, que ostaria de estar discutindo as más condições de trabalho do Magistério, e que, estará sempre voltado para investir e prestigiar as melhorias dos professores”

3) O fato de Beatriz Cerqueira vivenciar todo dia o assunto. Logo, não daria para engambelá-la nem a maior parte da plateia.

Também não funcionariam as provocações que ele tanto gosta de fazer. Beatriz foi forjada no embate de duras negociações com os governos Aécio Neves, Antonio Anastasia e Fernando Pimentel. Enfrentou a Polícia Militar em manifestações durante os períodos tucanos. Teve inclusive P2 na sua cola na era Anastasia.

Resultado: Beatriz deu uma surra em Holiday.

Fez o mesmo nos dois deputados mineiros do PRB, que também falaram a favor do Escola sem Partido: o federal Lincoln Portella e seu filho, o estadual Léo Portella.

Bem que Portella-pai vociferou no meio da apresentação de Beatriz, tentando ganhar no grito. Não colou.

Alguma dúvida sobre o resultado da audiência?

No Facebook de Holiday, há apenas o post ao lado a respeito do evento. O máximo que ele conseguiu foi dizer: “A militância de esquerda está agitada e revoltada”.

Dê uma olhada na foto abaixo. Foi tirada ao final da audiência. Atente bem à fisionomia do grupo.

Revoltados? Certamente, a “militância de esquerda” não.


Se o resultado tivesse sido o inverso a repercussão no Facebook de Holiday seria só essa ao lado?

A surra foi tamanha que o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) não teve nem de sair da cadeira, de onde assistiu tudo:


“A Bia nocauteou os três em 10 minutos. Não precisou de ajuda.

“O menino é muito fraquinho e a tese deles, uma antiguidade. Versão 2017 do Jarbas Passarinho, ministro da educação da ditadura: ‘estudante é para estudar’. Só que não! Estudante é muito mais!”

Assista às apresentações.


Axact

Ronaldo

Blogueiro e livreiro, reproduzo as notícias que considero interessante para os amigos e disponíbilizo meu acervo de livros para possíveis clientes. Boa leitura e boas compras.

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