Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, o ‘ministro’ da Saúde Ricardo Barros protagonizou duas cenas que deveriam gerar a indignação dos médicos – muitos deles que foram às ruas esbravejar pelo “Fora Dilma” e, que desta forma, ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer. Em um evento no Palácio do Planalto, ele deixou escapar ao anunciar um novo factoide para a área da saúde: “Vamos parar de fingir que pagamos os médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham”. Dias depois, o fingido bancou um "casamento ostentação" para a sua filhota. Nas duas ocasiões, os médicos falsamente moralistas também se fingiram de mortos e não expressaram a sua irada revolta. Talvez estejam arrependidos da besteira que fizeram contra a democracia.

O “sincericídio” de Ricardo Barros acabou gerando mal-estar no próprio covil golpista. Segundo Fernando Rodrigues, em nota postada em seu site, o ministro entrou na linha de tiro. “O titular da pasta, que é do PP, passou a ter o cargo cobiçado. PMDB e adjacências acham que ele atravessou a rua para pisar numa casca de banana ao criticar os médicos que trabalham para o SUS. A categoria foi decisiva nas articulações pró-impeachment de Dilma”. Ainda de acordo com o jornalista, sua bravata gerou uma onda de protestos nas redes sociais. “O Planalto identificou a criação de 33 grupos de médicos na internet nas 72 horas após a declaração de Ricardo Barros. Eles distribuem ‘memes’ contra o ministro e farão manifestação em Brasília em 3 de agosto. Alguns já falam até em greve”. Será?

Ovos no "casamento ostentação"


Já a “festa ostentação” da filha do ministro foi marcada por protestos e uma chuva de ovos. Segundo reportagem da revista Fórum, “o casamento da deputada estadual Maria Victória Borghetti Barros (PP) com o advogado Diego da Silva Campos, na noite desta sexta-feira (14), teve bem mais participantes do que o planejado pelos noivos. Além dos cerca de mil convidados, centenas de manifestantes ocuparam a região do Largo da Ordem, Centro de Curitiba. A concentração foi maior em frente à Igreja do Rosário e ao Palácio Garibaldi, locais da cerimônia religiosa e da festa, respectivamente. A deputada é filha de Ricardo Barros, ministro da Saúde do governo Temer, e de Cida Borghetti, vice-governadora do Paraná, também do PP”.

“O protesto foi contra as reformas trabalhista e previdenciária, ambas apoiadas pela família Barros. A ação também denunciou a ilegalidade cometida pela deputada Maria Vitória, que instalou uma fachada anexa ao Palácio Garibaldi, prédio histórico, sem autorização prévia. A ação começou por volta das 18h30, com batucada, faixas, como a frase ‘Deputada do camburão tem casamento ostentação’, ‘Viemos brindar a sua boa vida’, e palavras de ordem como ‘Golpistas’, ‘Fora Beto Richa’ e ‘Chega de deboche, eu quero o meu brioche’. Apesar do clima agradável e seco na capital paranaense, convidados da festa usaram guarda-chuvas. O objeto serviu de escudo de proteção contra ovos arremessados pelos manifestantes”.

Uma expressão grotesca do golpe


Ricardo Barros é uma expressão grotesca e patética do “golpe dos corruptos”, que foi apoiado por várias entidades médicas. O tesoureiro do PP é investigado por inúmeros crimes. Como elencou Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual, o mafioso já “foi eleito deputado federal cinco vezes, ocupou a pasta da Indústria e Comércio do Paraná e foi prefeito de Maringá. Ele também foi o relator do Orçamento de 2016 na Câmara e chegou a propor corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família”. Quando prefeito na cidade paranaense, “ele foi condenado na 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça pela juíza Astrid Maranhão Carvalho Ruthes por fraude na venda de coletores e compactadores de lixo que não serviam mais para a prefeitura e seriam vendidos”.

“Em 2011, Ricardo Barros se licenciou do seu mandato de deputado federal para assumir o cargo de secretário da Indústria e Comércio do Paraná. Após denúncias de irregularidades na sua gestão, porém, pediu licença do governo do estado. Na época, gravações feitas pelo Ministério Público mostraram Ricardo Barros sugerindo ao então secretário de Saneamento de Maringá, Leopoldo Fiewski, que arranjasse um encontro para realização de acordo entre as duas empresas que participavam de um processo de licitação para publicidade da cidade. O contrato era de R$ 7,5 milhões. Ricardo Barros é investigado desde 9 de novembro no Inquérito 4.157 por corrupção, peculato e crime contra a Lei de Licitações”.



O capacho dos planos de saúde


Até a revista Época, da famiglia Marinho, já publicou matérias sobre os trambiques do atual ministro da Saúde. Em maio de 2016, o jornalista Murilo Ramos revelou que “o maior doador individual da campanha de Ricardo Barros para deputado pelo Paraná em 2014 foi Elon Gomes de Almeida. Elon Gomes é sócio do Grupo Aliança, administradora de benefícios de saúde, e disponibilizou R$ 100 mil para a campanha de Barros. A Aliança mantém registro na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vinculada ao Ministério da Saúde... Recentemente Elon foi alvo da Operação Acrônimo da Polícia Federal. No dia 16 de dezembro, a PF realizou busca e apreensão em sua residência”. É este sujeito “ético” que os médicos ajudaram a chegar ao poder!

Em tempo: Ricardo Barros só se tornou ministro por indicação das poderosas operadoras de planos de saúde, que financiaram sua campanha e que devem cerca de R$ 2 bilhões ao SUS. Segundo denúncia recente da Agência Nacional da Saúde (ANS), as inescrupulosas empresas do setor – que transformaram a saúde em mercadoria e só visam o lucro – deixaram de pagar 51% dos recursos que, por lei, deveriam ser ressarcidos ao sistema público nos últimos anos. Contra este crime, desde 2003 uma ação direta de inconstitucionalidade aguarda parecer do Supremo Tribunal Federal. Mas estas megacorporações, que também ajudaram a financiar o “golpe dos corruptos”, gozam de muita influência entre os ministros do STF e a ação está parada.


Altamiro Borges
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