Mesmo sem os recursos dos países desenvolvidos, o Brasil tem profissionais que são referências em áreas que vão da matemática à astronomia

POR GIULIANA VIGGIANO


THAISA BERGMANN (FOTO: REPRODUÇÃO L'ORÉAL)

Mesmo sem o nível de investimento ideal, a ciência do Brasil é motivo de orgulho. Especialistas de várias áreas do conhecimento driblam as dificuldades e conseguem fazer pesquisas de ponta. Conheça os cientistas que nos fazem acreditar na ciência nacional:

Thaisa BergmannA astrônoma venceu o prêmio prêmio For Women in Science, por sua pesquisa sobre buracos negros supermassivos — foi ela a primeira pessoa a observar um disco de acreção (disco de poeira e gás que se forma ao redor dos buracos negros) em uma galáxia considerada inativa. Em entrevista a GALILEU, ela lamentou a falta recursos na ciência brasileira, mas não se desmonstrou abatida: "Embora existam países com mais dinheiro e mais facilidades do que o Brasil, o nível da pes­quisa aqui não deixa a desejar".

Mayana ZatzBióloga molecular e geneticista brasileira, Zatz contribuiu principalmente no campo de doenças neuromusculares, como esclerose lateral amiotrófica (ELA) e paraplegias espásticas. Fundou a Associação Brasileira de Distrofia Muscular e foi uma das responsáveis por encontrar um dos genes ligados a um tipo de distrofia dos membros, além do gene da síndrome de Knobloch.

Marcelo GleiserO professor de física, astronomia e filosofia natural do tradicional Dartmouth College, nos EUA, é um dos grandes divulgadores da ciência no Brasil — seja através do Twitter ou de suas contribuições para veículos nacionais, como a Folha de S. Paulo. Através de obras como A Simples Beleza do Inesperado, Gleiser passa a sua visão sobre "uma vida ciente de que nós somos criações cósmicas, pertencentes a um universo do qual somos parte essencial", como afirmou em entrevista a GALILEU.

MARCELO GLEISER (FOTO: MAIRA MARTINS/ GALILEU)

Miguel NicolelisO cientista brasileiro foi considerado pela Scientific American uma dos 20 maiores cientistas do mundo, na década passada. Dentre o vasto trabalho, se destaca o mecanismo que possibilitou que o primeiro chute da Copa de 2014 no Brasil, fosse dado por um paraplégico. No Twitter, além de divulgar seus trabalhos recentes, não esconde sua paixão pelo Palmeiras.

Suzana Herculano-HouzelA neurocientista se tornou um nome renomado em seu campo com um feito "simples": contando o número de neurônios no cérebro: 86 bilhões. Ninguém tinha tido a ideia da técnica, que consiste em esmagar cérebros em um detergente até formar uma solução homogênea, que possibilita a contagem das células. "Quando você entende esses aspectos mais básicos, ganha insights sobre as implicações disso para o envelhecimento, doenças e tudo o mais", disse ela em entrevista à GALILEU. Hoje, a cientista desenvolve suas pesquisas na Universidade de Vanderbilt, nos EUA.

SUZANA HERCULANO-HOUZEL (FOTO: WIKI COMMONS)

Artur ÁvilaO matemático foi o primeiro brasileiro a receber a Medalha Fields, considerado o Nobel de sua área — também foi o primeiro latino-americano e lusófono a ganhar a honraria. Ávila é especialisa em sistema dinâmicos. "Trabalho com Operadores Schrödinger, com dinâmica conservativa em baixa dimensão, essas áreas que são difíceis de comunicar", disse ele, na edição de julho da GALILEU. Hoje, o matemático se divide entre o Impa e o centro Nacional para a Pesquisa Científica, na França, e mostra que a matemática brasileira também tem lugar no mundo.

Duília de MelloA astrofísica coleciona feitos notáveis para qualquer pessoa que ama astronomia: trabalhando em um dos centros de estudo mais importantes da NASA, o Goddard Space Flight Center (GSFC), onde analisava as imagens do Hubble, ela descobriu uma supernova e o fenômeno das bolhas azuis: aglomerados estelares "perdidos" no espaço entre as galáxias. Atualmente, é vice-reitora da Universidade Católica da América (a PUC dos Estados Unidos), e continua como pesquisadora associada da agência espacial norte-americana. Atua ativamente em prol da popularização da ciência e da inclusão de garotas em carreiras científicas e tecnológicas. "O único jeito de mudar isso [aumentar o número de mulheres cientistas] é mostrando para meninas e meninos que mulheres também fazem ciência", disse em entrevista à GALILEU.

DUÍLIA DE MELLO (FOTO: TOMMY WIKLIND)

Marcelo Viana Em 2016, o diretor do Impa ganhou o Grand Prix Scientifique Louis D., principal prêmio científico da França — por uma pesquisa desenvolvida com o francês François Labourie, da Universidade de Nice. Com seus estudos sobre sistemas de comportamento caótico, o matemático mostrou que os brasileiros têm vocação para domar a famosa Teoria do Caos. "'Caos' é interpretado como uma bagunça completa. Mas o que a gente foi descobrindo é que esses sistemas têm regras e podem ser entendidos, desde que você use a linguagem certa", afirmou em entrevista à GALILEU.

Celina TurchiUm dos nomes mais importantes da ciência atual, Turchi comandou o grupo de pesquisas que descobriu a relação entre o vírus da Zika e a microcefalia. Em 2016, foi considerada uma das 10 cientistas mais importantes do ano pela revista Nature, em 2017 foi eleita pela Time como uma das 100 pessoas mais influentes do ano.

Niède GuidonA arqueóloga é uma das responsáveis pela exploração do sítio arqueológico de Coronel José Dias, no Piauí. As descobertas de Guidon mudaram a percepção da chegada da humanidade no continente americano, já que algum dos artefatos que encontrou datam de 58 mil anos atrás (acreditava-se que a chegada teria se dado há cerca de 15 mil anos).



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