“A base do governo golpista de Temer pretende tirar da comissão especial a reforma trabalhista, que vai acabar com a CLT e deixar trabalhadores e trabalhadoras à mercê da voracidade de lucro das empresas. Tirando a reforma da comissão especial, ela vai diretamente para o plenário, para aprová-la rápido e quase sem debate”, afirmou o deputado


Por Jean Wyllys*, em seu Facebook

URGENTE! Nesse momento, a bancada governista na Câmara dos Deputados tenta aprovar a urgência da reforma trabalhista, através do PL 6787/2016. O PSOL 50 vota não!

Se aprovado o regime de urgência, serão dispensados os prazos de vista (duas sessões) e de apresentação de emendas (cinco sessões) ao substitutivo do relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).

O que está acontecendo agora na Câmara dos Deputados é todo um símbolo do momento político que estamos vivendo no país! A base do governo golpista de Temer pretende tirar da comissão especial a reforma trabalhista, que vai acabar com a CLT e deixar trabalhadores e trabalhadoras à mercê da voracidade de lucro das empresas. Tirando a reforma da comissão especial, ela vai diretamente para o plenário, para aprová-la rápido e quase sem debate.

É impressionante como a imprensa impõe ao país um debate sobre a “moralidade pela moralidade”, apresentando a corrupção dos que hoje comandam o legislativo e a presidência da república, reféns dos interesses dos poderes fáticos (os banqueiros, as empreiteiras, os barões do agronegócio, a indústria farmacêutica, a indústria de bebidas, a indústria de armas e outras corporações) como se fosse um problema individual. Ou seja, não levando em consideração que os mesmos que corromperam o sistema político através de “financiamentos” de campanhas (que, na verdade, não passavam de compra de governantes e parlamentares para que estes lhes auxiliassem no parasitismo do erário e na manutenção de seus privilégios) são os que se beneficiam com reformas como a previdenciária, a política e a trabalhista, que interessa a esses poderes fáticos que sejam aprovadas a toque de caixa.

Tratando da corrupção apenas como um problema moral (e não como uma condição estrutural deste sistema econômico que explora os mais pobres e mantém os privilégios das castas), e apenas como um problema dos políticos (e não, fundamentalmente, como uma forma de privatização da política que traz como resultado mais injustiça social e mais concentração da renda), evita-se a discussão do problema de fundo, que tem tudo a ver com as “reformas” que o Congresso está aprovando agora para favorecer os verdadeiros corruptores…
E muitas pessoas, feito patetas, escandalizadas com “os roubos” individuais, não veem que estes são apenas migalhas da corrupção de verdade: o pagamento feito pelos serviços prestados por alguns políticos para os que mandam de fato e levam a maior porção do bolo.

*Jean Wyllys é deputado federal pelo PSOL-RJ

Atualização: A apresentação do requerimento de urgência não conseguiu ser aprovada por insuficiência de votos após tumulto no plenário da Câmara nesta terça-feira (18). O procedimento foi derrubado por 230 votos a 163, com apenas uma abstenção. Deputados trocaram gritos e ofensas e precisaram ser contidos. A partir da derrota governista, a reforma trabalhista vai tramitar em ritmo normal.

Foto: Luis Macedo /Câmara dos Deputados

Axact

Ronaldo

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