Jesse Klaver, líder do Partido Verde, que conquistou 14 cadeiras no Parlamento. Filho de mãe indonésia e pai marroquino, ele combateu a xenofobia da extrema-direita e diz defender ideias de Thomas Piketty

Ameaça fascista derrotada nas eleições. À esquerda, cresce um partido ambientalista que quer ampliar tributação dos mais ricos. Composição do novo governo é incerta


Por Nuno Ramos de Almeida
A montanha parece ter parido um rato: o Partido “da Liberdade” – de extrema direita – de Geert Wilders, que chegou a estar nas sondagens com 42% dos votos em 2016, ficou-se pelos 13,1%, elegendo 20 deputados em 150. Ficou muito longe do Partido Liberal e Democrático (VVD) do primeiro-ministro Mark Rutte, que declinou ligeiramente obteve 21,6% e perdeu 8 deputados e fica com 33 lugares no parlamento.

Apesar deste alívio para os apoiadoress da União Europeia, os principais derrotados nestas eleições são os partidos que formavam o governo: liberais de direita e sociais-democratas perdem 32 deputados. Os sociais democratas de Ascher perdem 24 lugares, ficando com apenas 9 deputados. Os grandes vencedores destas eleições são os ecologistas que passam de 4 deputados para 14. Entram no parlamento holandês mais dois novos partidos: o Denk, um partido de esquerda para os descendentes de imigrantes (3 cadeiras) e o FvD, populista de direita (2). Vão estar 13 partidos representados no parlamento, e para formar governo serão precisos quase meia dúzia de partidos.

Mais de 12, 9 milhões de eleitores foram chamados às urnas na quarta-feira para elegerem 150 deputados. O comparecimento dos eleitores subiu cerca de oito pontos percentuais, em relação à ida às urnas de 2012 e ultrapassou os 70%.

As eleições estiveram centradas no debate, promovido pela extrema-direita e o Partido da Liberdade de Geert Wilders sobre questões de identidade e integração dos imigrantes, o que foi acentuado com o conflito diplomático com a Turquia, com o atual primeiro-ministro, Mark Rutte, a fazer voz grossa para conquistar potenciais eleitores de extrema-direita. A economia ficou em segundo plano, a Holanda é dos países mais ricos da União Europeia, com uma renda per capita superior a 50 mil euros anuais, com um desemprego na ordem dos 5,4% e um crescimento do PIB que atingiu os 2,3% em 2016.

O anterior governo era apoiado pelos liberais de direita do atual primeiro-ministro, Mark Rutte, e os sociais democratas que tiveram, em conjunto 79 dos 150 deputados, nestas eleições devem, segundo as sondagens à boca das urnas, ficar pelos 40 lugares. Segundo os atuais resultados vão ser precisos, pelo menos, quatro partidos para conseguir uma maioria de governo no parlamento. Existe uma enorme dispersão de votos no eleitorado, o maior partido do país, só consegue ter cerca de 20% dos votos. O país está profundamente dividido do ponto de vista regional e religioso, havendo partidos calvinistas, protestantes e democratas-cristãos, e neste momento até partidos de pessoas de origem imigrante. A dificuldade de formar governo com o colocar das questões identitárias em primeiro lugar, com o prejuízo do debate entre esquerda e direita, faz com que essa pulverização tenha tendência para se agravar.

Na reta final, com o conflito diplomático com a Turquia, o primeiro ministro Mark Rutte, recuperou muita da retórica da extrema-direita, usando slogans, como “A Holanda tem de ser para os holandeses” e que era preciso “preservar os valores tradicionais da Holanda”. Resta saber se depois do ato eleitoral, e com a necessidade de se coligar a vários partidos, essas afirmações ficarão apenas como retórica eleitoral ou se vão piorar as condições de vida no país para os dois milhões de pessoas que vêm de países não europeus, em 17 milhões de habitantes.

As eleições na Holanda tinham uma importância acrescida, pois podiam imprimir uma dinâmica capaz favorecer o crescimento das forças populistas xenófobas em outras eleições europeias. Recorde-se que em abril há eleições presidenciais em França, e em setembro a Alemanha vai às urnas. No meio disto tudo, os italianos serão também provavelmente chamados pronunciar-se em eleições.

Independentemente dos resultados na Holanda, verifica-se por toda e Europa um crescimento de partidos antissistema, muitos deles são contra a União Europeia e há o crescimento de tendências nacionalistas e xenófobas. Há vários estudos que apontam para uma mudança das posições políticas nos europeus, nomeadamente os jovens.

A versão europeia do site Politico divulgou um estudo em que se mostra que a maioria dos votantes menores de 35 anos tende a sentir-se atraída a votar em movimentos populistas. Segundo esta investigação do Research Institute Kantar, os votantes mais jovens afirmam-se mais dispostos a votar em forças como o Partido da Liberdade de Wilders, a Frente Nacional de Marine Le Pen, e Alternativa para Alemanha que os eleitores de outras idades.

“Os partidos do centro não têm narrativas que sejam suficientemente atrativas para os eleitores mais jovens”, afirmou ao Politico, um dos autores do estudo, Tim Belder. “Os jovens estão cada vez mais atraídos pelos extremos”, acrescentou.



Apesar desta inclinação, que faz com que os eleitores mais jovens estejam mais atentos a questões identitárias que outro tipo de votantes, esta atitude pode não se traduzir num aumento proporcional de votos na extrema direita: porque os votantes mais jovens têm taxas de participação inferiores que pessoas de outras idades.

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