Pecuarista afirmou também que ex-senador Delcídio do Amaral era o único que tinha algo a temer em acordo do ex-diretor da Petrobras com o MPF



O ex-senador Delcídio do Amaral: acusou Lula sem provas, obteve acordo de delação premiada e deixou a cadeia


O pecuarista José Carlos Bumlai, um dos acusados em ação penal na Justiça Federal de Brasília sobre suposta "compra do silêncio" de Nestor Cerveró, depôs nesta sexta-feira (10). Ele afirmou que o ex-senador Delcídio do Amaral era a única pessoa que tinha algo a temer caso o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró firmasse um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Bumlai é acusado pelo MPF de ter tentado impedir que o ex-diretor da Petrobras assinasse um acordo de delação premiada, e que teria tomado tal atitude a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também é um dos acusados no mesmo processo.

A acusação do MPF é toda baseada em delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral, que também é réu no mesmo processo e que efetivamente veio a figurar na delação de Cerveró, formalizada junto ao MPF mesmo após a suposta tentativa de obstrução. Foi em sua delação premiada que o ex-senador alegou que Lula tinha pedido a Bumlai que interviesse junto a Cerveró para que este não fizesse a delação. Depois que Delcídio mencionou Lula em seu depoimento - sem, no entanto, apresentar prova nenhuma a sustentar o que relatava - ele obteve o acordo com o Ministério Público e saiu da cadeia.

Nesta sexta-feira, no entanto, Bumlai rejeitou amplamente a versão apresentada por Delcídio, classificando-a como “inverídica e fantasiosa”. “Eu nunca tive interesse nenhum em retardar a delação do senhor Cerveró. O ex-presidente Lula jamais me pediu nada nesse sentido. Eu nunca tratei de nenhum tipo de negócio ou acordos com o Lula. Tenho com ele uma relação pessoal e de respeito profissional, que vem do tempo em que compus o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em seu governo, mas nunca falamos de dinheiro, nada disso”, informou o pecuarista.

José Carlos Bumlai disse também que chegou a fazer um empréstimo “sem esperar receber de volta” a Delcídio do Amaral, em duas parcelas, no valor total de R$ 100 mil, mas que isso nada tinha a ver com a delação de Nestor Cerveró. “Quem entregou o dinheiro a ele foi meu filho. Ele solicitou em 2015, aquele pedido de um senador da República, por um empréstimo sem que se espere o recebimento. Aliás, este é um tipo de empréstimo que Delcídio pedia não só a mim, mas a muita gente, até porque o estilo de vida que ele leva não seria possível apenas com o salário de senador”, acusou o pecuarista.

O juiz do processo, então, questionou do motivo que levou o pecuarista a fazer um empréstimo que não esperava que fosse pago. “Olha, excelência, era um pedido de um senador da República, líder de governo na época. Ele tinha muito poder para atrapalhar nossos negócios se quisesse. Conversei com meu filho, ele achou melhor contribuir”, revelou Bumlai.

Na versão apresentada por Delcídio aos procuradores federais - e que fez com que ele se livrasse da cadeia - Bumlai teria pago ao ex-senador para que ele convencesse Cerveró a não assinar a delação. “Mas que interesse teria eu ou o ex-presidente Lula de que Cerveró não assinasse a delação? Pois ele acabou assinando e o que se viu? Meu nome não aparece, o nome de Lula não aparece, mas o de Delcídio, sim, aparece. A verdade é que só ele tinha interesse em obstruir a delação”, concluiu o pecuarista.


Lula



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