Após muito tempo, apenas um tema conseguiu unir lado a lado fãs de BBB, adoradores de Kardashians e a esquerda no Twitter: a repulsa à reforma da previdência.


Durante o dia 15/03, marcado por manifestações contra a Reforma da Previdência e o governo Temer, capturei ocorrências que contivessem os seguintes termos: #15M, #GreveGeral, #QueroMeAposentar e “Reforma da Previdência”.
#15M no Twitter durante o dia 15/03.

Como podemos observar, o maior agrupamento durante o período foi o representado pela cor verde – e aqui está o ponto mais interessante desse cenário capturado pela análise: trata-se um agrupamento de usuários que raramente se envolve no embate político no Twitter. Material gráfico que retrate concretamente os prejuízos da reforma para a população, bem como manifestações de setores de trabalho que possuem contato direto com esse público jovem (professores, por exemplo), tem enorme impacto entre esses usuários. Voltado a assuntos do cotidiano, BBB e temas especificamente “trends” no Twitter, voltaram suas atenções para a Reforma da Previdência e impactaram dezenas de milhares de usuários que não são impactados pelo outro agrupamento engajado nessa disputa contra a reforma: os agrupamentos amarelo/rosa/vermelho.

Esse “emaranhado” de agrupamentos formado, na realidade, por cerca de seis agrupamentos significativos, engloba os usuários regularmente engajados no debate e cobertura política dos eventos progressistas no Twitter. Conta também com alguns perfis que foram os responsáveis por “produzir e alimentar” a intersecção entre ambos grande-clusters que se uniram, de certa forma, contra a reforma da previdência.

No que podemos chamar de centro-oeste do mapa estão os usuários da imprensa dita tradicional brasileira, que se revezaram entre a ausência da cobertura das manifestações e notícias acerca dos “transtornos” causados pelas greves e paralisações, alimentando assim outro cluster representativo: o agrupamento azul, localizado na parte superior do grafo. Aqui, não é surpresa, o principal e potencial usuários é – e será – o Movimento Brasil Livre, responsável por dar uma nova “roupagem” nos próximos dias a reforma proposta por Michel Temer. No que se refere ao Twitter, mora aqui a principal esperança do governo Temer de “mudar a maré” acerca da reforma e da opinião pública.

O que o #15M nos mostrou foi, mais uma vez, a completa ausência de uma cobertura massiva da imprensa tradicional que se assemelhasse aquelas realizadas durante o processo de impeachment. Esse ponto foi levantado por muitos usuários que, cada vez mais, encontram em usuários como Mídia Ninja,Brasil de Fato, RBA, Jornalistas Livres, The Intercept Brasil e outros canais de mídia independente, uma luz no fim desse longo, macabro e escuro túnel que é a imprensa brasileira.

É também interessante - para não dizer irônico - que um governo que semanas atrás foi acusado de tentar comprar o apoio de jovens youtubers e influenciadores de rede tenha conseguido, em tão pouco tempo, criar um buzzcapaz de envolver no debate político do Twitter um agrupamento de influenciadores tão importante para a rede e tão alheio ao debate político como é o agrupamento verde, destacado no início do texto.

Fato é que, ao contrário do que Temer afirmou, a sociedade está longe de entender, compreender e até mesmo apoiar as reformas proposta por seu governo. E o #15M demonstrou que, para além das ruas, as redes também demonstram que não, não se trata apenas de mais um embate "sindicatos x governo". Dessa vez, o buraco é mais embaixo.

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Ronaldo

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