Enquanto eles brigam, um dos principais produtos de exportação do Brasil foi para o vinagre; a manchete é do Canal NewsAsia: “Brasil diz que carne exportada é segura apesar do escândalo da carne podre”

Da Redação

O embate entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro do STF Gilmar Mendes teve prosseguimento hoje em Brasília.

Num evento na Escola Superior do Ministério Público da União, Janot desmentiu informação reproduzida por Gilmar segunda a qual a própria PGR teria vazado o nome de políticos delatados por executivos da empreiteira Odebrecht antes de encaminhar pedidos de inquérito ao juiz relator da Operação Lava Jato.

Frases de Janot sobre Gilmar:
Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios. Mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e instrumentos legítimos de comunicação institucional.

Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar todos a sua decrepitude moral e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se, não raras vezes, da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado.

Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder público e repudiamos a relação promíscua com a imprensa.

O ministro indicado por Fernando Henrique Cardoso ao STF é hoje o principal interlocutor do governo Temer na corte. Ele tem angariado apoio parlamentar pelas críticas que dirige à espetacularização das operações da Polícia Federal e a vazamentos que só podem ter partido de autoridades.

“Quem quiser cavalgar escândalo […] está abusando de seu poder”, disse Gilmar recentemente.

Ele tem sido apontado como possível candidato ao Planalto, em caso de eleição indireta.

Caso a chapa presidencial que o usurpador Michel Temer formou com Dilma Rousseff for cassada pelo TSE — o que parece cada vez mais provável — , a escolha do presidente interino será feita pelo Congresso.

A instabilidade política e econômica causada por ações da Polícia Federal tem preocupado muitos empresários, frustrados com a fracassada política econômica de Michel Temer.

As circunstâncias externas mudam velozmente, com um viés crescentemente protecionista que se choca com as diretrizes do governo Temer, que desmantela o mercado interno.

Alguns dos principais setores da economia brasileira — Petrobras, empreiteiras e agora exportadores de carne — foram duramente afetados pelas investigações, com a perda de milhares de empregos.

Hoje, dois frigoríficos de Colombo, no Paraná, sob investigação da PF, demitiram 300 trabalhadores.

Em 2016, o setor representou quase 17% das vendas brasileiras no Exterior.

A exportação média de carne brasileira, que era de U$ 63 milhões por dia, caiu para U$ 74 mil — enquanto compradores externos avaliam o impacto das denúncias de “carne podre” disseminadas pela imprensa e pelas redes sociais em todo o planeta.

Independentemente da dimensão real das pilantragens cometidas por fiscais e frigoríficos, a associação entre carne brasileira e “podridão” foi feita em milhares de textos e manchetes mundo afora.

LAVA JATO

Gilmar Mendes acusa PGR de vazar nomes de citados em delação da Odebrecht


A crítica de Mendes foi feita na abertura da sessão da Segunda Turma, colegiado responsável pelo julgamento dos processos da Operação Lava Jato
por Agencia Brasil, no Diário de Pernambuco

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes acusou hoje (21) a Procuradoria-Geral da República (PGR) de vazar para a imprensa nomes de pessoas citadas nos depoimentos de delação premiada de ex-executivos da empreiteira Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Na semana passada, com base nas delações, a procuradoria fez 83 pedidos de abertura de investigações ao STF, mas os nomes dos envolvidos não foram divulgados oficialmente porque foram enviados sob segredo de Justiça.

A crítica de Mendes foi feita na abertura da sessão da Segunda Turma, colegiado responsável pelo julgamento dos processos da Operação Lava Jato. Mendes citou artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, no último domingo (19). De acordo com o jornal, a procuradoria enviou os pedidos em segredo ao Supremo, mas divulgou extraoficialmente os nomes dos investigados para alguns veículos de comunicação.

Para o ministro, a publicação de informações da Lava Jato que estão sob sigilo é uma forma de “desmoralização da autoridade pública” e alimenta uma “caça de escândalos para espetaculização”.

“Tenho que a Procuradoria-Geral da República tem que prestar a este Tribunal as explicações sobre esses fatos. Não haverá justiça com procedimentos à margem da lei. As investigações devem ter por objetivo produzir provas e não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade. Quem quiser cavalgar escândalo porque está investido de poder de investigação, está abusando de seu poder”, disse o ministro.

Após a crítica de Gilmar Mendes, a subprocuradora da República, Ela Wiecko, pediu a palavra e disse que o “momento que estamos vivendo está colocando à vista” defeitos em todas as instituições, inclusive do próprio Supremo.

“O que me chama muita a atenção é o poder da mídia. A mídia estabelece o momento, eles fazem investigação, eles têm acesso, não sei como, a muitas informações. Eles estabelecem um momento em que colocam essa notícias a público. Essa sua insatisfação deve ser compartilhada com todas as instituições, inclusive a mídia”, rebateu a procuradora.



Viomundo



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Axact

Ronaldo

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