A proposta de ampliar o grupo BRICS com poderosas economias emergentes poderia tapar a lacuna deixada pelas políticas comerciais protecionistas dos EUA, disse à Sputnik o analista internacional Adrián Zelaia.


Zelaia, presidente da consultora Ekai Center, falou com a Sputnik Mundosobre a proposta chinesa de ampliar o grupo dos países emergentes BRICS que inclui a Rússia, o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul. O gigante asiático propôs que o Paquistão, Bangladesh, Irã, Nigéria, Coreia do Sul, México, Indonésia, Turquia, Filipinas e Vietnã também aderissem ao bloco.

O especialista indicou que "é lógico" que os BRICS coloquem opções de ampliação, particularmente no "contexto geopolítico atual". Uma expansão do grupo poderá ser "uma compensação" da "retirada aparente das estratégias [comerciais] hegemônicas" dos EUA usando políticas protecionistas.

"Foi dissolvido o projeto do TPP [o Acordo Transpacífico], que pressupunha uma aposta para assegurar a preservação da posição hegemônica dos EUA relativamente à Ásia. Todos estes movimentos geraram um contexto adequado para que em uma situação de possível lacuna, que provavelmente se vai formar devido â postura nova dos EUA, os BRICS assumam um papel mais importante face a um conjunto de países emergentes", disse Zelaia.

Hoje é um momento "chave", já que os BRICS têm sido até agora "um ponto de referência de contraste em relação ao Ocidente" no sentido simbólico. Esta situação pode transitar para um "poder efetivo" que ponha este conjunto de nações à cabeça da ordem econômica mundial e não somente como um contrapeso.

"Se os BRICS conseguirem ampliar de forma substancial sua base de pertença e o número de países que integram o grupo, e o fizerem de forma estável, isto vai inevitavelmente gerar um [novo grande] poder e uma influência política, econômica e cultural em todo o mundo. Claramente, já não será um contrapeso, mas algo que vai se converter em um bloco dominante do mundo dentro de alguns anos", analisou o cientista político.

Zelais sublinhou que os BRICS são "fundamentalmente a aposta em um modelo de evolução" que vai muito além de um simples bloco comercial. Boa parte dos países mencionados pela China têm um comércio "intenso" entre si, por isso sua adesão "não teria um impacto decisivo nos intercâmbios" comerciais.

"O modelo de desenvolvimento [dos BRICS] não se baseia exclusivamente em comerciar mais, mas na aposta em investimentos estratégicos de futuro. Uma boa parte dos países cuja adesão ao bloco está sendo planejada se encontram no âmbito da chamada Nova Rota da Seda, um projeto de investimentos em infraestruturas e comunicações euroasiáticas", explicou o analista.

Estas infraestruturas seriam "uma avalancha extraordinária" para os esquemas de desenvolvimento em sintonia com a "filosofia habitual da China" que "não implica que um país ganhe aquilo que outro perca, senão que entre todos eles haja intenção de fazer propostas e gerar projetos" que sirvam para um interesse mútuo.

Entretanto, a adesão destes países pode causar tensões entre os cinco países-membros, por isso eles "terão que ter muito cuidado no momento de planejar uma ampliação para não romper os equilíbrios".

A Índia, por exemplo, foi o país que recebeu com mais receio a lista proposta pela China, integrada em sua maioria por nações vizinhas do gigante euroasiático. Em muitos casos, os candidatos "não têm tido uma relação fácil" com Nova Deli.

"Este será um contexto que os BRICS terão que levar em conta e que não será fácil de superar. O poder econômico e a capacidade de criar alianças da China são muito maiores que os de outros países, já que é a maior potência econômica dentro do bloco. A Índia está quase isolada quanto à sua capacidade de buscar novas integrações entre os seus aliados. Então não será fácil gerenciar isto [o processo de ampliação do bloco] de uma forma perfeita para todos", concluiu.

SputnikNews



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Ronaldo

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