Ideias do arquiteto Vincent Callebaut se definem na torre Tao Zhu Yin Yuan, uma estrutura capaz de absorver até 130 toneladas de emissões de CO2 por ano


DANIEL GARCÍA

Torre Tao Zhu Yin Yuan em Taipé. DANIEL GARCÍA


A capital taiwanesa está vendo crescer nesses dias um novo morador em seu skyline, a torre Tao Zhu Yin Yuan, também conhecida como Agora Garden. Um projeto inovador em forma de dupla hélice, a promessa de ajudar o meio ambiente e o atrativo da sustentabilidade a colocaram no foco dos meios de comunicação. A estrutura é uma conjunção de teorias de Vincent Callebaut, um arquiteto que promove o aspecto ecológico em seus trabalhos.

Em setembro, quando terminarem as obras, a torre contará com mais de 23.000 árvores que se distribuirão pelas amplas varandas possibilitadas pela forma de dupla hélice. "A flexibilidade espacial é sinônimo de sustentabilidade", afirma a este jornal o belga. Graças à vegetação que a estrutura do edifício permite, a torre poderá absorver até 130 toneladas de emissões de CO2 por ano, segundo o arquiteto.

Taipé é uma cidade cujos níveis de poluição não chegam ao das grandes capitais da vizinha China continental, mas em geral alcança limites de insalubridade em seu ar. Com esse "bosque florestal urbano", como o criador define o edifício, se chega a "uma correta simbiose entre o ser humano e a natureza".

Apesar da inovação do projeto e da enorme cobertura que a estrutura tem recebido nos meios de comunicação, a discussão sobre o impacto ambiental da obra está no centro das atenções; "esse edifício verde deve ser considerado sobretudo como um edifício com moradias de luxo. A relação entre o benefício ambiental e o custo do mesmo serve para um debate", afirma Germain Canon, arquiteto com escritório em Taipé. Por exemplo, na estrutura "se dá muita importância ao transporte de carro [há um elevador para carros que leva a cada apartamento] e a superfície de cada apartamento é muito ampla, em uma cidade onde muitas famílias não se podem permitir ser donas de uma moradia", acrescenta o especialista.

Para concluir o Agora Garden, Callebaut encontrou inspiração em diferentes ideias. A filosofia tradicional chinesa tem seu espaço no edifício através do taiji; a forma como a estrutura roda segue os preceitos desse conceito relacionado com o princípio gerador de todas as coisas.

Um esquiador reciclável


"O projeto encontra inspiração na estrutura do corpo de um esquiador: o núcleo central da torre é o corpo humano, a estrutura reticular de cinco metros a partir do andar 21 são os braços, enquanto as enormes colunas de ambos os lados são os bastões de esqui". Assim o belga define a sua criação, a qual utiliza materiais reciclados ou fáceis de serem reciclados em sua construção.



A relação entre o benefício ambiental e o custo tem sido motivo de debate

À pretensão ecológica do edifício se unem um sistema estrutural suspenso e um de vigas Vierendeel (um sistema de vigas por cada dois andares) que transferem todo o peso dos braços (bastões de esqui) para o corpo (núcleo central) e depois para baixo, para a fundação. O resultado é um projeto estrutural único que combina mecânica e estética.

Canon vê no Agora Garden uma nova constante no mundo da arquitetura: "A estrutura faz parte de uma tendência recente no projeto de torres, focada em formas orgânicas ou irregulares. Esses projetos buscam distorcer os clássicos blocos de andares, os quais são feito a base de repetição e planos básicos".

A torre Tao Zhu Yin Yuan representa com ênfase os preceitos da arquibiotecnologia, uma combinação de várias áreas (arquitetura, biotecnologia e tecnologias da informação e da comunicação -TIC-) criada pelo próprio Callebaut. Através dessa soma, o arquiteto se move, para além dos planos, por dimensões como "as formas, as estratégias e os ecossistemas", afirma o criador, e acrescenta que dessa maneira "a arquitetura se transforma em algo metabólico e criativo".

Além do Agora Garden, o estúdio de Vincent Callebaut, com sede em Paris, está por trás de vários projetos futuristas que se encontram em diferentes fases de produção. O The Gate, no Cairo, é um desses projetos que, como o que essa reportagem aborda, despertou um grande interesse entre os meios de comunicação.

A ambição ecológica do criador do The Gate é uma máxima que está se impondo com força na construção de edifícios. Canon menciona, entre outros, referências como The Interlace, em Cingapura, os projetos de Vo Trong Nghia, no Vietnã, e o Tower 25, em Nicósia, do renomeado Jean Nouvel.

EL PAÍS Brasil



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Ronaldo

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