O Equador torna-se essencial para a disputa que hoje está colocada na América Latina. Se de um lado o avanço conservador colocou no poder a direita na Argentina e no Peru, além da ofensiva golpista no Brasil, que afastou a presidenta Dilma Rousseff e instaurou um ilegítimo governo Temer recheado de corruptos e trazendo de volta as velhas oligarquias políticas ao poder, temos também que observar que um possível novo ciclo, inclinado à esquerda, pode começar a surgir


Por Walter Fernandez


Neste último domingo, o Equador passou por mais um processo eleitoral de sua história. Projetos antagonistas foram colocados e apresentados para a sociedade, um que prioriza os direitos sociais já adquiridos, visando ampliá-los, e um outro, que se resguarda na retomada de políticas neoliberais aproveitando-se das últimas vitórias que setores conservadores e reacionários obtiveram no continente

Moreno, que é filho de professores e formado em administração pública pela Universidade Central do Equador, perdeu a mobilidade das pernas em decorrência de um assalto em 1998, passando a ser ativista e grande defensor de políticas de acessibilidade, direitos humanos e bem-estar social, sendo reconhecido, dentro e fora do país, com títulos Honoris Causa pelo seu trabalho na área. Defensor de ampliação das políticas sociais e das medidas econômicas de Rafael Corrêa, que possibilitou reformas que viriam a acabar com a “Independência ” do Banco Central, protegendo-o dos interesses do capital financeiro internacional, trazendo para dentro da equipe econômica de seu governo, além de políticas que evitaram grandes evasões de divisas, ações que possibilitaram que o Equador não sofresse de maneira tão dura à crise econômica mundial.
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Com uma campanha pautada nestes princípios, Lenin Moreno liderou as pesquisas em todos os institutos, inclusive aqueles sempre tencionados a inflar candidatos conservadores. O candidato mais próximo e seu rival no segundo turno será o guru das políticas econômicas do desastroso governo de Jamil Mahuad e de Lucio Gutierrez, o banqueiro Guillermo Lasso, fundador e criador do Movimiento CREO, uma união de partidos de Direita, que vem se consolidando com maior força oposicionista do país, com representação inclusive no parlamento andino.

Depois de uma apuração apreensiva, em que muito se especulou se haveria ou não segundo turno, os números mostram que teremos mais uma etapa de disputa. Se por um lado isso frustra boa parte da base social e dirigentes do ALIANÇA PAÍS, coalizão da esquerda Equatoriana, abre também uma possibilidade de um amplo debate nacional sobre os projetos que estão em jogo. Com maioria garantida na Assembleia Nacional e no parlamento andino, a esquerda pode agora concentrar-se especificamente em colocar com maior evidência ainda todo seu trabalho, construções e conquistas sociais do ultimo período.

O Equador torna-se essencial para a disputa que hoje está colocada na América Latina. Se de um lado o avanço conservador colocou no poder a direita na Argentina e no Peru, além da ofensiva golpista no Brasil, que afastou a presidenta Dilma Rousseff e instaurou um ilegítimo governo Temer recheado de corruptos e trazendo de volta as velhas oligarquias políticas ao poder, temos também que observar que um possível novo ciclo, inclinado à esquerda, pode começar a surgir. Pensemos na Venezuela, onde Maduro começa, aos poucos, a recuperar popularidade, na Argentina, o Kischnerismo continua com grande base social e sempre mobilizada, Chile e Uruguai, mesmo com o tradicional problema de renovação de quadros, tem grandes chances de reeleger a esquerda no próximo processo ( Chile com mais dificuldades), além de El Salvador e a revolucionária Cuba que resistem na América Central e caribe. Aqui, Lula lidera em todas os institutos de pesquisa e o retorno do projeto democrático e popular em nosso país torna-se imprescindível para a hegemonia progressista em nosso continente.

Até o dia 2 de abril muita coisa pode acontecer, mas é na política e sempre nela que o Movimiento Alianza País deve se concentrar nesse momento. De maneira pedagógica, dialogar com o povo que viu sua vida melhorar substancialmente, com a queda do número de desempregados, a redução da pobreza e um crescimento econômico aliado a redução das desigualdades sociais. Colocar todo este legado, contra o passado da fome, miséria e desemprego causados pelos governos neoliberais deve ser a tônica da campanha que levará Lenin Moreno a ser o primeiro presidente cadeirante da América Latina e manterá a esquerda firme em nosso continente. Como disse Rafael Corrêa, com todo otimismo e esperança, “Vamos a la segunda vuelta, y los volveremos a derrotar el 2 de abril”.

Foto: Pulse



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