Passeata pela Paz que tomou a Orla de Camburi nesse Domingo, 12, em Vitória. Foto: Mídia NINJA

por Fábio Malini, pesquisador e professor da UFES – Universidade Federal do Espírito Santo



No Espírito Santo, o domingo é de trégua nas regiões centrais metropolitanas, que passaram a ser cercadas por homens e mulheres (e tanques) da Força Nacional, Exército e Guarda Civil.

Isso tem permitido o capital circular: lojas, farmácias, botecos, mercados, fábricas, shopping, quiosque de praia. Funcionam até o cair da tarde, por volta das 19 horas, quando os trabalhadores e patrões decidem parar as atividades, tornando-se assim um "toque de recolher branco".

Soldados mascarados do Exército patrulham e dão segurança à Passeata pela Paz na Orla de Camburi nesse Domingo, 12, em Vitória. Foto: Mídia NINJA

Políticos, imprensa e empresários apostam nessa trégua, "a volta da normalidade", uma narrativa muito mais prazeirosa do que a "prendo e arrebento PM", mas há riscos: os PMs estão aquartelados, e os poucos que traem o movimento militar patrulham as ruas – mais ricas – à pé, nem 5% da tropa.

Capixaba, em sua mineirice, confia desconfiando. Mas, sem dúvida, a tal narrativa da normalidade é mais aderente ao espírito de serenidade que todos desejamos. Tem dado certo até aqui, entre as classes médias e altas.

Aqueles que possuem automóvel e motocicleta circulam, os que dependem do transporte público, um deus nos acuda.
Moradores de prédio de luxo saúdam a Passeta desde seus apartamentos na tarde desse domingo. Foto: Mídia NINJA

Baumman, em sua melhor obra, "Globalização: as consequências humanas", gostava de dizer que o fosso da segregação é melhor definido hoje no modo da circulação das populações nas cidades, que abrigam uma guerra espacial.

Não é difícil de demonstrar essa guerra, pegando o caso capixaba como referência.

Agora, por exemplo, a praia está cheia. Apenas das classes que circulam. Aqueles que estão condenados à prisão da imobilidade contam os mortos nas periferias, onde a marcha que mais se repete é a fúnebre.

Enquanto isso os políticos, comissionados e gente rica fingem pedir paz – leia-se: circular em paz, numa marcha na orla de Camburi.




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Ronaldo

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