Na esquina com a Rua Augusta, em São Paulo, centenas de militantes estão acampados pela liberação de verba para a faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida

por Sarah Fernandes, da RBA

REPRODUÇÃO/TT // 'Quem chegou ao poder por um golpe vai ter palavra?', questionou Guilherme Boulos


São Paulo – Há cinco dias, um dos cartões-postais de São Paulo divide espaço com a luta social por moradia: na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, marcada por edifícios sofisticados, foram montadas barracas de lona que abrigam centenas de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), prometendo permanecer no local – onde se localiza também o prédio da Presidência da República – até que o governo de Michel Temer libere verba para construção de moradia pelo programa Minha Casa Minha Vida na faixa 1, para famílias com renda de até R$ 1.800 por mês.

Na tarde de ontem (19), ocorreu um ato na Avenida Paulista, reivindicando a liberação de recursos para a obra. De acordo com os organizadores, milhares de pessoas participaram. “Cada compromisso que eles (governo de Michel Temer) assumiram, eles descumpriram. Também, como quem chegou ao poder por um golpe vai ter palavra?”, questionou o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.

“O que eles acham é que a gente ia esmorecer, que íamos desistir, que eles nos venceriam pelo cansaço, mas aquilo que eles não contavam é a força que tem o sonho do povo. Quando alguém finca um barraquinho num lugar para sair do aluguel, porque não consegue mais pagar, ele não botou só o barraco, ele semeou um sonho e esse sonho não é fácil de destruir. Não é o Michel Temer que vai passar por cima dele”, afirmou Boulos.

Na sexta-feira (17), o Ministério das Cidades divulgou nota informando que as obras das moradias da faixa 1 do programa habitacional serão retomadas no início de março. O governo prevê a liberação de 170 mil novas unidades para essa faixa. Para a modalidade "entidades", em que grupos sociais e associações podem fazer a gestão de todo o desenvolvimento das moradias, foram reservadas 35 mil unidades em 2017.

Mas o movimento defende que não há garantias concretas de que as obras sejam retomadas. “Ficaremos aqui até sermos recebidos por um representante do governo que nos dê garantia concreta da retomada das obras”, diz um dos coordenadores do movimento, Josué Rocha. “Os movimentos têm que estar cada vez mais presentes na luta para resistirmos à retirada de direitos.”

Na ocupação ocorrem diversas atividades culturais, abertas a todos os interessados. Na noite de hoje (20), por exemplo, haverá aula pública do jornalista José Trajano sobre política e futebol. Na quarta está prevista uma aula pública com a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) sobre a reforma da Previdência. Além disso, vários blocos de carnaval têm ido ao local prestar apoio ao movimento.

A avenida, que é também um dos principais pontos de lazer da cidade, principalmente aos domingos, quando fica fechada para os carros, é para os militantes um local essencialmente de luta: “só vim à Paulista poucas vezes, sempre para participar de atos. Agora estamos acampados aqui e vamos permanecer”, disse a militante Claudiamaria Silvia dos Reis, que mora na região de Embu das Artes. “Algumas pessoas passam nos olhando feio, com muito preconceito, porque não conhecem o movimento.”

Durante a visita da reportagem da RBA à ocupação, pelo menos duas pessoas passaram de carro agredindo verbalmente os ocupantes. Além disso, eles denunciam que têm sofrido pressão da Polícia Militar, que vez ou outra passa pelo local vestindo capacetes e portando escudos.

“Estamos aqui para lutar pela moradia. Muitos companheiros conseguiram viabilizar a compra do terreno e está tudo certo, só falta a verba ser liberada para começarem as obras. Nós não vamos sair daqui, porque essa é a única forma de conseguirmos nosso apartamento. Nós ganhamos salário mínimo, como vamos financiar uma casa sem subsidio?”, questiona a militante Cristiane Alexandre, que vive em uma ocupação do movimento no Capão Redondo, na região sudoeste da capital.



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